O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) francês afirmou que a manifestação do Conselho Nacional da Resistência do Irão (CNRI), na qual os organizadores esperavam dezenas de milhares de participantes, não foi discutida na conversa realizada na quinta-feira entre o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, e o homólogo iraniano, Abbas Araghchi.
Em conferência de imprensa, o porta-voz do MNE francês indicou que as decisões sobre se se impede ou não a realização de uma manifestação dependem, em França, do Ministério do Interior, dando a entender que não estão sujeitas a considerações diplomáticas.
Em todo o caso, rejeitou a ideia de que a não-autorização da marcha de sábado tenha sido uma forma de silenciar a oposição iraniana em França, argumentando que Paris apoia a sociedade civil iraniana e não esqueceu o período de violência e repressão pelo regime teocrático da contestação popular do início deste ano.
Além disso, recordou que Barrot lançou hoje mesmo uma plataforma de apoio aos artistas iranianos no exílio, que será oficialmente apresentada dentro de algumas semanas.
Numa conferência de imprensa realizada uma hora antes, o representante do CNRI em França, Afchine Alavi, classificou como “fúteis e até ridículas” as razões de segurança invocadas pela Câmara Municipal de Paris para negar a autorização à sua manifestação, quando — insistiu — nunca nenhuma das suas ações de protesto desembocou em violência.
Para Alavi, “a proibição [da marcha] tem origem numa decisão política” e resulta da “chantagem que o regime dos ‘mullahs’ exerce sobre os países que acolhem a resistência iraniana”, para “impedir que sejam denunciados os crimes que esse regime comete”.
Segundo o representante do CNRI, essa pressão de Teerão demonstra que “o regime teme esta resistência organizada” e é “extremamente fraco”, porque se preocupa até com uma manifestação que decorreria a milhares de quilómetros do Irão.
Na sua opinião, a resposta de França deveria consistir em “ser firme com o regime” e condená-lo.
A marcha tinha como objetivo denunciar as execuções no Irão de membros do CNRI e de outras pessoas que participaram nos protestos populares do início do ano.
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