Num pedido de esclarecimento dirigido a André Ventura, o deputado socialista Hugo Oliveira lembrou os “ziguezagues” que o Chega “tem feito” sobre a revisão da legislação laboral, referindo nomeadamente as posições iniciais relativamente à amamentação, à greve geral de 11 de dezembro ou o facto de o partido ter defendido que a proposta “abre a porta a um bar aberto a despedimentos”.
“Se isto é um bar aberto, o melhor cliente tem sido o Chega”, disse Hugo Oliveira, questionando André Ventura se “vai dar a mão” ao Governo e viabilizar a proposta.
Por seu turno, a presidente da IL acusou o Chega de dar “cambalhotas em toda a negociação”, critica partilhada pelo Livre.
A liberal defendeu ainda que através das propostas de alteração apresentadas pelo seu partido alguns direitos “são reforçados”, nomeadamente ao nível da parentalidade, dos trabalhadores independentes, “das compensações por alto rendimento” e nas férias.
Antes, Mariana Leitão tinha defendido que “falar de reforma laboral exige uma coragem que a maioria dos partidos não tem” e acusou a esquerda de ter passado “décadas a convencer os portugueses de que flexibilidade é sinónimo de exploração”.
“É uma mentira politicamente rentável: rentável para partidos que vivem dos interesses instalados, rentável para centrais sindicais que existem para defender os interesses dos seus dirigentes e profundamente injusta para os milhões de portugueses que pagam a fatura”, referiu, instando os partidos a tentarem um “caminho” em que “trabalhar compense, onde os portugueses não precisem de emigrar para ter a carreira”.
Em resposta aos pedidos de esclarecimento do PS e da IL, o presidente do Chega devolveu a questão a Hugo Oliveira, perguntando se “acha que aumentar um subsídio de turnos não é uma vitória para os trabalhadores”, bem como “conseguir os dias de férias”, numa alusão à reposição dos 25 dias de férias abolidos na ‘troika’.
“Para nós, aumentar o subsídio turno para o trabalhador não é uma brincadeira. Conseguir o aumento dos dias de férias para quem trabalha não é uma brincadeira. Conseguir o aumento da licença parental não é uma brincadeira”, defendeu Ventura.
O presidente do Chega manifestou-se ainda contra o alargamento da não reintegração de trabalhadores despedidos ilicitamente e manifestou-se confiante em alcançar “para os trabalhadores a maior vitória das suas últimas décadas em Portugal”.
Pelo PCP, o secretário-geral sinalizou que esta “é a hora da verdade” e que “cada partido terá que decidir se vota contra ou apoia ainda mais precariedade, desregulação dos horários de trabalho (…) a liberalização dos despedimentos ou o trabalho extraordinário não pago com o banco de horas”.
“Quem pensa que o processo termina amanhã deve saber que a luta dos trabalhadores tal e qual como está (…) é uma luta que vai continuar”, prometeu Paulo Raimundo, acrescentando: “abriram a caixa de Pandora da luta contra os trabalhadores, vão ter que levar com os trabalhadores até à derrota final do pacote laboral”.
A deputada única do PAN, Inês Sousa Real, defendeu que a revisão da lei laboral “é um processo que não pode ser feito de costas voltadas para a sociedade civil” e que a proposta do Governo “apenas vem dificultar a vida a quem trabalha”, ao passo que o deputado único do JPP, Filipe Sousa, lembrou que a demografia é um dos “maiores desafios” que Portugal enfrenta, pelo que defendeu que não se pode “dificultar a vida” a quem quer ter filhos.
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