O próximo diretor-geral da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), Mário Campos, foi designado na semana passada pelo ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, para suceder à atual diretora, Helena Borges, a partir de 01 de agosto.
Mário Campos é subdiretor-geral da AT responsável pela área dos sistemas de informação desde 07 de março de 2016, tendo acompanhado a quase totalidade do período de liderança de Helena Borges, diretora-geral desde 23 de março de 2015.
A carta de missão que o Governo elaborou em janeiro, quando mandou abrir o concurso público na Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (Cresap) ao qual Mário Campos se candidatou, elenca quatro objetivos estratégicos para o próximo mandato de cinco anos.
Segundo o documento publicado no ‘site’ da Cresap, o primeiro objetivo prevê que a AT aumente o “cumprimento voluntário”, designadamente aprofundando “uma abordagem integrada dos canais de comunicação” e o fortalecimento do “controlo dos comportamentos evasivos”.
O segundo objetivo passa por reforçar “a confiança e a transparência”, onde se inclui o uso da “comunicação como um construtor” para isso.
O terceiro diz respeito ao desenvolvimento da “transformação digital”, setor que o futuro diretor-geral coordenou na última década enquanto subdiretor-geral responsável pelos sistemas de informação do fisco.
Neste tópico, a carta de missão prevê a necessidade de reforçar a “confiança na digitalização através da garantia da segurança e da proteção de dados”, de inovar “nos serviços prestados” e de “reforçar a incorporação de tecnologia e gestão inteligente de dados”.
O quarto objetivo traça como meta “promover a resiliência organizacional e a sustentabilidade”, para renovar competências, reter trabalhadores ou flexibilizar os modelos de trabalho.
A carta de missão é o documento estratégico que define os objetivos a atingir durante o mandato.
Questionada pela Lusa sucessivamente desde início de abril sobre se algum dos quatro objetivos é considerado mais relevante pelo Governo, o gabinete da secretária de Estado dos Assuntos Fiscais, Cláudia Reis Duarte, não respondeu.
No segundo objetivo, o documento coloca como meta que a AT use “a comunicação como um construtor de confiança”.
À Lusa, o gabinete da secretária de Estado que tem a tutela da AT também não respondeu em que áreas concretas da AT ou em que ferramentas deve ser melhorada a comunicação da AT na relação com os contribuintes particulares e empresas.
O gabinete de Cláudia Reis Duarte não esclareceu igualmente em que medida a atualização do Portal das Finanças se enquadra no objetivo de transformação digital e no de reforço da confiança e transparência.
A escolha de Mário Campos como sucessor de Helena Borges foi anunciada pelo Governo em 12 de junho, tendo o Ministério das Finanças referido em comunicado que o ministro das Finanças já procedeu à designação.
No comunicado, o Ministério das Finanças sublinhou que o engenheiro “tem experiência muito relevante no desenvolvimento e na gestão de sistemas de informação, na gestão da inovação, na transformação digital, na modernização de processos, na segurança da informação e na interoperabilidade tecnológica, nos setores público e privado”.
Licenciado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores pelo Instituto Superior Técnico em 1997, Mário Campos passou pelo Grupo Caixa Geral de Depósitos de 2006 a 2016 (imediatamente antes de entrar para a administração fiscal).
Anteriormente, trabalhou para a Deloitte e para a consultora Andersen Consulting (atual Accenture).
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