O líder parlamentar do PSD acusou, esta terça-feira, o partido Chega de estar “mais comunista que o próprio Partido Comunista Português” e considerou que “caiu a máscara ao deputado André Ventura”.
Na base das críticas está o facto de o partido de André Ventura ter votado contra o pedido do Governo para discutir com urgência a autorização legislativa sobre a criação da Prestação Social Única.
“É bom que os portugueses saibam que o partido Chega é verdadeiramente uma fraude populista e uma fraude eleitoral”, apontou Hugo Soares, nos corredores do Parlamento.
E continuou: “ao mesmo tempo que o Chega diz que quer combater a fraude nos subsídios, combater a atribuição de subsídios e a forma como eles são atribuídos, que acha que aqueles que recebem subsídios sociais deviam prestar uma colaboração à sociedade, o Chega votou contra, hoje, precisamente aquilo que visa trazer critério à atribuição das prestações sociais não contributivas, que visa ajudar a combater a fraude na atribuição dos subsídios sociais e até votou contra a possibilidade de aqueles que recebem subsídios sociais poderem ter uma atividade social de solidariedade em nome dessa contribuição que todos os portugueses fazem.”
Por isso, alertou os portugueses, defendendo que “o país deve estar atento”, uma vez que “uma coisa é o discurso do partido Chega” e “coisa bem diferente é a atitude”.
Na ótica de Hugo Soares, o Chega “não quer mudar coisa nenhuma no país” para “poder continuar a criticar aquilo que depois não quer mudar”.
“Foi com espanto que verifiquei que o Chega está mais comunista que o próprio Partido Comunista Português. O Chega transformou-se hoje no maior inimigo da juventude portuguesa. É bom que o Chega esclareça, de uma vez por todas, as propostas que tem para a idade da reforma, quanto custam. Que diga aos portugueses como é que é compaginável as propostas que hoje fez com a garantia de sustentabilidade da Segurança Social”, acrescentou.
“O Chega que, tantas e tantas vezes fala para os jovens, designadamente nos TikToks e sem contraditório, tem de dizer aos jovens portugueses como é que quer garantir a sustentabilidade da Segurança Social”, sublinhou ainda o social-democrata.
O Chega anunciou hoje vai propor no Parlamento que um trabalhador possa reformar-se quando atingir 40 anos de descontos ou 65 de idade e quer colocar um teto máximo para as pensões mais altas de 4.500 euros.
“Creio que hoje que é um dia em que, nestas duas matérias, caiu a máscara ao deputado André Ventura e ao Chega”, acusou Hugo Soares.
Apesar do voto contra do Chega, o Parlamento aprovou hoje o pedido do Governo para discutir com urgência a autorização legislativa sobre a criação da Prestação Social Única, que prevê uma discussão na especialidade de um máximo de dez dias.
O pedido de processo de urgência feito pelo Governo, votado um dia depois de submeter no Parlamento um pedido de autorização legislativa para que possa legislar por decreto-lei sobre a criação da Prestação Social Única, foi aprovado com os votos a favor de PSD e CDS-PP, abstenção do PS, PAN e JPP e votos contra de Chega, PCP, Livre e BE.
O executivo pede o agendamento urgente do pedido de autorização legislativa e a sua discussão, em sede de especialidade, no prazo máximo de dez dias.
Antes, André Ventura já tinha anunciado que iria votar contra, defendendo uma “discussão aprofundada” no Parlamento sobre este tema. “Vamos votar conta por este motivo, porque esta lei permite que quem vem para Portugal receba subsídios sem nunca ter descontado, e isso é errado”, afirmou André Ventura, em declarações aos jornalistas na sede do partido, em Lisboa.
André Ventura considerou que a proposta do Governo “tem ideias” que o partido pode “vir a trabalhar e acompanhar”.
“Mas também tem coisas como a possibilidade de quem nunca cá descontou receber prestações sociais, como o caso de imigrantes chegarem a Portugal e não terem que ter nenhum período mínimo de descontos para terem prestações sociais. Nós somos estruturalmente contra isso”, criticou.
Questionado sobre o argumento apresentado pelo líder do Chega, André Ventura, para votar contra o pedido de urgência da autorização legislativa — dizendo pretender uma discussão mais aprofundada para alterar partes do diploma -, Hugo Soares considerou que “até isso é contraditório”.
“Até isso é uma fraude, querem uma discussão mais aprofundada, mas acabaram de votar contra a possibilidade de haver uma discussão”, criticou.
[Notícia atualizada às 17h03]
Leia Também: Parlamento aprova pedido do Governo para discutir Prestação Social Única



