Segundo um comunicado de imprensa enviado à Lusa, o PS declara que a proposta apresentada pelo executivo PSD/CDS-PP “introduz uma enorme instabilidade e incerteza na vida dos professores e das famílias pela precariedade a que ficarão sujeitos, constituindo assim uma desconsideração para o papel central que desempenham na transmissão da língua e da cultura no estrangeiro”.
Um dos temas destacado pelos socialistas, e que tem sido frisado pelos sindicatos representativos dos docentes, é o fim das comissões de serviço automaticamente renováveis mediante avaliação.
Por outro lado, de acordo com a nota de imprensa, o PS indica que o Ensino Português no Estrangeiro (EPE) “precisa de professores com condições materiais para o desempenho das suas funções e com uma remuneração que seja adequada ao custo de vista dos países onde exercem a docência”, sendo que a revisão salarial não é feita desde 2009.
“Em vez disso, o Governo parece querer diminuir custos, passando a contratar candidatos sem habilitações adequadas, o que revela um total desprezo pela qualidade do ensino”, critica.
Por outro lado, prosseguiu, “os leitores de português nas universidades e os professores dos departamentos de português já há muito tempo que lutam por condições dignas para o exercício das suas funções, com um enquadramento profissional adequado, perspetivas de progressão na carreira e subsídios de residência que acompanhem o custo de vida dos países onde lecionam”.
“Pede-se ao Governo bom senso e sensibilidade, para que não mude nada para pior e, particularmente, que tenha em conta as consequências muito negativas para a vida de milhares de professores e suas famílias, para a qualidade do ensino de português no estrangeiro e para as comunidades, que são um fator determinante de afirmação da Língua portuguesa no mundo”, conclui.
Os sindicatos representativos dos professores e o Governo iniciaram, no passado dia 28 de maio, as reuniões do processo negocial relativas à revisão RJEPE, cuja pasta é tutelada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).
Após esse primeiro encontro, as propostas apresentadas pelo Governo têm sido contestadas pelos docentes e seus respetivos sindicatos.
Hoje, irá ocorrer a segunda reunião negocial, sendo que estão ainda previstos encontros em 29 de junho e 13 de julho.
No passado dia 10 de junho, por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, os profissionais da rede EPE (coordenadores, adjuntos, docentes e leitores) manifestaram, numa carta aberta, “enorme apreensão” face à “nova proposta de revisão do regime jurídico” do ensino, com um “enquadramento remuneratório” que “aprofunda a precariedade existente”.
Também no passado dia 05 de junho foi criada uma petição pública ‘online’, denominada “Pela estabilidade profissional e pela valorização das condições de trabalho dos Coordenadores, Adjuntos, Docentes e Leitores do Ensino de Português no Estrangeiro (EPE)”.
A petição, que contava, ao princípio da tarde de hoje, com 7.498 assinaturas, pede, entre outros aspetos, que “seja mantido o atual modelo de vinculação dos profissionais do EPE, rejeitando soluções que diminuam a estabilidade profissional e institucional da rede”.

Professores de português no estrangeiro contra novo regime jurídico
Os membros da rede de Ensino de Português no Estrangeiro (EPE) contestaram hoje as alterações ao regime jurídico, previsto pelo Governo, que dizem acentuar a precariedade e diminuir a qualidade da oferta, colocando em risco os lugares destes profissionais.
Lusa | 13:11 – 10/06/2026



