“Israel acorda hoje perante um acordo que se gerou longe daqui e dos seus interesses”, afirmou o ex-chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot e líder do partido centrista Yashar!.
Na sua conta do X, Eisenkot afirmou que o acordo do “fracassado Governo de Netanyahu” deveria ter preservado “a liberdade de ação israelita”.
“Perdeu-se a oportunidade de segurança e regional que o Governo israelita devia ter aproveitado. As coisas podiam e deviam ter sido diferentes”, disse.
O líder partidário criticou o facto de os israelitas terem tomado conhecimento do acordo através de “líderes estrangeiros”, enquanto Netanyahu “se recusa a olhar o público nos olhos”.
“Nunca houve um fracasso mais absoluto do que o fracasso político de Netanyahu no cenário iraniano”, afirmou, por sua vez, o líder da oposição Yair Lapid, que promove, com o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, a formação de centro-direita Beyachad (Juntos), que pretende derrotar Netanyahu nas eleições do outono.
Também nas redes sociais, Lapid afirmou que “o Estado de Israel ganhou a batalha, Netanyahu perdeu a guerra” e acrescentou que o atual primeiro-ministro “desmoronou-se no momento da verdade”.
“Se, durante a guerra, enlouqueceres o Presidente dos Estados Unidos com os teus assuntos de perdão, não te surpreendas se ele se virar contra ti no momento em que os vossos interesses entrarem em conflito”, acrescentou, referindo-se às pressões exercidas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre o homólogo israelita, Isaac Herzog, para que conceda a Netanyahu um perdão nos seus julgamentos por corrupção.
Da esquerda, o líder do Partido dos Democratas, Yair Golán, afirmou que o anúncio significa “um amanhecer difícil para Israel”.
“De um só golpe, foram apagadas imensas conquistas militares alcançadas com a coragem dos nossos pilotos e o sangue dos nossos combatentes, enquanto Netanyahu se manteve à margem: fraco, doente, isolado e impotente”, disse Golán nas suas redes sociais.
Golán, antigo chefe do Estado-Maior do Exército israelita, também condenou o acordo, uma vez que, afirmou, canaliza milhões para Teerão, “deixa intacta” a infraestrutura nuclear iraniana, “preserva a ameaça balística” e lança “um salva-vidas” ao regime da República Islâmica.
“A minha posição é clara: não somos parceiros deste acordo que não garante a nossa segurança e não nos vincula de forma alguma”, afirmou, por sua vez, nas redes sociais o ministro da Segurança Nacional, o ultraconservador e colono Itamar Ben Gvir.
Na sua mensagem, Ben Gvir, líder do partido ultranacionalista Otzma Yehudit (Poder Judaico), condenou o acordo, cujos detalhes ainda são desconhecidos, e afirmou que Israel não deve “ceder em nada menos do que o desmantelamento do Hezbollah”.
“Amamos os Estados Unidos e estamos gratos ao Presidente Trump. No entanto, o Estado de Israel não é uma república das bananas”, afirmou.
Outro dos ministros de Netanyahu, o radical Bezalel Smotrich, afirmou que “o acordo com o Irão é prejudicial para Israel e para todo o mundo livre”.
Numa mensagem no Telegram, indicou que Israel terá de continuar com “a campanha para derrubar o regime [iraniano]” por conta própria e “de forma criativa”, e “garantir que o Irão nunca tenha armas nucleares”.
No Líbano, afirmou que trabalhará para que o Exército israelita tenha “plena liberdade de ação” para expulsar de lá o movimento xiita Hezbollah.
Os Estados Unidos e o Irão anunciaram este domingo um acordo para pôr fim à guerra e reabrir o estratégico estreito de Ormuz, após mais de 100 dias de um conflito que gerou graves perturbações no mercado global do petróleo.
O Paquistão, que atua como mediador entre Washington e Teerão, afirmou que ambas as partes assinarão na próxima sexta-feira, 19 de junho, na Suíça, um memorando de entendimento para pôr fim a todas as hostilidades.
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