“Vamos tentar. Acredito que estamos preparados para desempenhar um papel positivo para o conseguir”, declarou Rubio, numa conferência de imprensa após o encontro com o seu homólogo russo, Serguei Lavrov, em Nova Iorque.
O chefe da diplomacia norte-americana não esclareceu se a questão dos ataques às instalações energéticas foi abordada na reunião, nem forneceu detalhes sobre os assuntos discutidos com o ministro russo.
Rubio recordou que a Ucrânia tem atacado refinarias e outras infraestruturas russas ligadas ao petróleo e ao gás, enquanto a Rússia continua a atingir a rede elétrica ucraniana, numa altura em que se aproxima o inverno.
“Quando se fala de energia, isso significa coisas diferentes para pessoas diferentes”, disse Rubio.
“Se perguntar ao Presidente [ucraniano, Volodymyr] Zelensky, ele argumentará que a capacidade de proteger a sua rede elétrica é uma prioridade fundamental para eles”, acrescentou o chefe da diplomacia norte-americana.
Rubio reconheceu que alcançar um entendimento não será simples, uma vez que Moscovo e Kyiv consideram os ataques às infraestruturas energéticas parte dos respetivos objetivos estratégicos.
Ainda assim, Rubio defendeu que vale a pena procurar um acordo que seria “benéfico para ambos os países e para o resto do mundo”.
O secretário de Estado admitiu também a possibilidade de um novo encontro entre o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o homólogo russo, Vladimir Putin, à margem da cimeira do G20, prevista para dezembro, na Florida, caso o líder russo participe na reunião.
Segundo Rubio, a cimeira poderá constituir “uma nova oportunidade para que ambos os líderes conversem”.
Sobre o conflito com o Irão, Rubio disse que Trump está a considerar “opções militares” contra o Irão, caso Teerão insista em obter uma arma nuclear e mantenha o apoio a grupos que Washington classifica como terroristas.
“O Irão nunca poderá ter uma arma nuclear. Tudo parte daí”, afirmou o chefe da diplomacia norte-americana que também apresentou a renúncia iraniana às armas nucleares como uma condição fundamental para qualquer futuro acordo com Teerão.
Rubio avisou ainda as autoridades iranianas de que estarão a “interpretar mal” o sistema político dos Estados Unidos caso considerem que uma eventual vitória democrata nas eleições intercalares de novembro limitará a capacidade de ação de Trump.
Na mesma conferência de imprensa, Rubio defendeu a necessidade de Washington manter o diálogo com Pequim, na véspera de uma reunião entre Trump e o Presidente chinês, Xi Jinping, prevista para Washington.
“Os EUA e a China são as duas maiores economias do mundo e duas das principais potências militares. A relação entre ambos será determinante para o século XXI; temos a obrigação de interagir e dialogar ao mais alto nível”, afirmou.
O secretário de Estado reconheceu a existência de “divergências importantes”, sobretudo em matéria comercial e relativamente a Taiwan, ilha autogovernada cuja soberania é reivindicada pela China.
Rubio abordou também a reunião realizada na terça-feira entre Trump e a Presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, classificando o encontro como “curto, mas importante”.
Segundo o secretário de Estado, os dois líderes discutiram a reestruturação da dívida venezuelana, a estabilização económica e o processo de transição política.
Rubio disse que Washington pretende colaborar nesse processo, mas insistiu na necessidade de assegurar uma transição política que conduza à realização de eleições livres e justas.
Defendeu também que a estabilidade futura da Venezuela poderá ficar comprometida se um Governo eleito herdar uma situação económica e social catastrófica.
O chefe da diplomacia norte-americana alertou igualmente para o risco de uma nova crise na Cisjordânia ocupada, perante o agravamento das tensões entre palestinianos e colonos israelitas.
“A última coisa de que Israel ou a região precisam é de mais uma crise ou de um ponto de atrito adicional”, disse Rubio.
Vários países ocidentais, incluindo Portugal, Canadá, França e Reino Unido, têm denunciado a expansão dos colonatos israelitas na Cisjordânia, considerando que compromete as perspetivas de criação de um Estado palestiniano.
[Notícia atualizada às 17h45]
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