“O presidente do Conselho Europeu representará, ou representaria, a União em qualquer papel de apoio às negociações, mas o que ficou muito claro ontem [na quinta-feira] à noite é que quaisquer negociações teriam de ser, antes de mais, entre a Ucrânia e a Rússia”, referiu o ‘taoiseach’ (primeiro-ministro) irlandês, cujo país assume a presidência do Conselho da União Europeia (UE) no próximo semestre.
Martin salientou, em declarações aos jornalistas à entrada para o segundo dia do Conselho Europeu, não haver “quaisquer indícios de que a Rússia se vá sentar à mesa das negociações, pelo que a questão do momento exato é ainda uma grande incógnita nesta fase”.
“Parece que haverá ainda, infelizmente, um longo caminho a percorrer até chegarmos a uma posição em que tenhamos um cessar-fogo ou o início de negociações”, referiu ainda, sublinhando ser “uma enorme pena, porque milhares e milhares de jovens estão a perder a vida — milhares e milhares de soldados de ambos os lados, todos os meses”.
“Confio em António Costa”, sublinhou ainda o ‘taoiseach’, acrescentando que o presidente do Conselho Europeu “foi muito claro ao afirmar que a Europa não está a mediar e não será mediadora mas, obviamente, no que diz respeito às competências europeias caso as negociações comecem, ele representaria a UE”.
“Dada a nossa própria experiência em resolução de conflitos, a abertura de canais de comunicação não é algo que criticaríamos ou veríamos de forma negativa”, concluiu.
Fontes europeias ouvidas pela Lusa admitiram que tal notícia não agradou a alguns embaixadores, sendo certo que a discussão de hoje sobre a Ucrânia — realizada como habitual à porta fechada — durou mais do que o esperado, inicialmente com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na sala e depois apenas com os 27 líderes da UE.
Um alto funcionário europeu apontou que, relativamente aos recentes e breves contactos diplomáticos com o regime russo, António Costa explicou na sala que “pediu ao seu gabinete para abrir um canal diplomático com a Rússia”.
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