O Presidente norte-americano aterrou, este fim de semana, na Irlanda para participar num torneio de golfe. Durante a sua estadia, reuniu-se com vários lideres do país, onde acabou por fazer declarações que provocaram uma forte reação de unionistas pró-Reino Unido na Irlanda do Norte.
“Não quero causar problemas, mas adoraria ver a Irlanda unificada”, afirmou Trump, num encontro com o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, em Dublin.
Para o Presidente norte-americano a reunificação da Irlanda “seria uma coisa fantástica”, que “vai acontecer eventualmente”, mas, para isso acontecer, o Reino Unido também terá uma palavra a dizer, reconheceu.
Recorde-se que estas declarações surgem depois de o novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, ter dito que um referendo sobre a saída da Irlanda do Norte do Reino Unido estava “fora de questão”.

Irlanda? “Não quero causar problemas, mas adoraria vê-la unificada”
O Presidente dos EUA, Donald Trump, defendeu hoje que a reunificação da República da Irlanda com a Irlanda do Norte “vai acontecer eventualmente”.
Lusa | 13:12 – 12/09/2026
As declarações do norte-americano geraram rebuliço e fonte do gabinete do primeiro-ministro britânico indicou à Reuters que a sua decisão sobre o referendo não se alterou.
Já o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, classificou as reações “exageradas”.
“As palavras do Presidente não me surpreenderam. Ele acredita que a união é o caminho lógico de configuração da ilha”, disse Micheál Martin após um almoço com o Presidente norte-americano, acrescentando ainda que se “todos mantiverem a calma e a perspetiva, avançaremos a partir daí”.

Reunificação da Irlanda? “Palavras de Trump não me surpreenderam”
O primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, desvalorizou hoje as declarações do Presidente norte-americano, Donald Trump, no domingo, em apoio da reunificação da Irlanda, classificando a reação como “exagerada”.
Lusa | 19:17 – 13/09/2026
Reações políticas
As declarações de Trump geraram controvérsia porque em causa está um conflito de décadas.
Gavin Robinson, líder do Partido Unionista Democrático, o maior partido da Irlanda do Norte, que defende a manutenção da união com a Grã-Bretanha, reagiu nas suas redes sociais dizendo que “o futuro constitucional da Irlanda do Norte será decidido pelo povo da Irlanda do Norte, e não por comentários feitos em Londres, Dublin ou Washington”.
President Trump knows better than most that elections matter. Northern Ireland’s constitutional future will be decided by the people of Northern Ireland, not by commentary in London, Dublin or Washington.
Northern Ireland is part of the United Kingdom because that is the settled… https://t.co/BozSTf93j9
— Gavin Robinson (@GRobinsonDUP) September 12, 2026
Já o Sinn Féin, um partido político que defende a unificação da Irlanda, afirmou que aprovava os comentários do presidente norte-americano, embora tenha feito questão de lembrar que o partido não corrobora de todas as posições de Trump.
“As observações do Presidente Trump sobre a questão da unidade irlandesa são bem-vindas, apesar de discordarmos profundamente dele em muitos outros assuntos”, indicou.
Já o gabinete de Andy Burnham, em resposta, remeteu para a declaração que fez na semana passada, na qual afirmava apoiar “a 100 por cento” o Acordo da Sexta-Feira Santa e que o Reino Unido só consideraria a possibilidade de realizar um referendo “quando a opinião pública tivesse mudado ao ponto de essa possibilidade ter de ser tida em conta”.
Memorando pela independência assinado hoje
Após as declarações, contudo, os líderes da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte decidiram reunir-se, esta segunda-feira, em Cardiff, para assinar um memorando de entendimento, que visa a independência destas regiões britânicas.
O encontro vai juntar o primeiro-ministro galês, Rhun ap Iorwerth, e os homólogos da Escócia, John Swinney, e da Irlanda do Norte, Michelle O’Neill.
A declaração conjunta pretende exigir a Londres que lhes conceda o direito de realizar referendos sobre a sua independência e recuperar poderes.
Divisão na Irlanda
A Irlanda do Norte esteve dividida entre duas comunidades: nacionalistas, na sua maioria católicos, que desejavam a união com o resto da Irlanda, e os unionistas, sobretudo protestantes, que queriam permanecer britânicos.
As tensões entre as duas fações arrastaram-se por três décadas de confrontos.
Em 1998, um acordo de paz pôs fim ao conflito, mas deixou o estatuto final da Irlanda do Norte indefinido (mantendo a Irlanda do Norte no Reino Unido, mas estabelecendo que o seu estatuto futuro pode ser decidido por referendo se a maioria assim o desejar).
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