Luís Montenegro discursou hoje perante a 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, a poucos meses de Portugal regressar ao Conselho de Segurança da ONU como membro não-permanente.
“Esta é uma crise insensata porque é má para todos. Temos de acabar com esta espécie de masoquismo coletivo. E temos de o fazer rapidamente para encerrar este capítulo, que prejudica todos”, apelou, defendendo que todos têm “o dever de aprender com as lições da crise dos anos 70 e evitar repetir o que então sucedeu”.
O chefe do Governo defendeu que, por um lado, “urge pôr fim aos conflitos que se arrastam”, sem se referir, nesta parte da sua intervenção, diretamente à guerra no Médio Oriente entre Estados Unidos e Irão.
“Por outro, desde já, temos de debater e decidir, formas complementares de mitigar o impacto desta crise energética e evitar o seu prolongamento”, apelou.
O primeiro-ministro português considerou que “seria benéfico também discutir o mecanismo de formação do preço internacional do petróleo”.
“Não tenho uma solução concreta mas pergunto se faz sentido estarmos todos tão dependentes do fator especulativo e da volatilidade dos mercados financeiros e de futuros, que fazem incidir o seu efeito a toda a produção, mesmo quando a instabilidade tem origem apenas numa parcela ou num período restrito dessa produção”, questionou.
Montenegro salientou que a escalada do preço dos combustíveis afeta e prejudica todos os povos, com “impacto económico e social grave”.
“Todos, todos mesmo são prejudicados. Da Ásia à Europa, da África às Américas, não há nenhum país que seja imune”, realçou.
No início do seu discurso, quando apelou ao fim de vários conflitos mundiais, o primeiro-ministro pediu que termine “a atuação agressiva do Irão e dos seus grupos armados associados, incluindo ataques a países vizinhos, a navios mercantes e a infraestruturas civis”.
“Tal como tem de terminar o bloqueio do Estreito de Ormuz e ser garantida a liberdade de navegação, incluindo a passagem segura e isenta de portagens, também no Mar Vermelho”, disse, numa intervenção sem qualquer referência ao papel dos Estados Unidos no conflito.
Montenegro salientou a importância de acelerar a transição energética para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis e “mitigar o efeito das alterações climáticas”, salientando que em Portugal “mais de 70% da nossa produção de energia é de origem renovável” e que o país antecipou de 2050 para 2045 a meta de neutralidade carbónica.
“As alterações climáticas e a liberdade de navegação têm em comum uma prioridade da nossa política: o mar e os oceanos. A proteção do domínio marinho, da sua diversidade, o combate ao aquecimento das águas, a ameaça da subida do nível do mar e a garantia da livre navegação universal são prioridades essenciais da agenda para os oceanos”, afirmou.
O discurso perante a Assembleia Geral da ONU foi o último ponto de uma visita oficial de três dias aos Estados Unidos de Luís Montenegro, que regressará ainda hoje ao final do dia a Portugal.
[Notícia atualizada às 21h02]

Ministra acusa PS de “irresponsabilidade”. “Crude é propriedade do país”
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, esclareceu que as reservas estratégicas de combustível do país armazenadas em França são “propriedade do Estado português”, podendo ser mobilizadas “a qualquer momento por decisão do Governo”.
Daniela Filipe | 17:25 – 24/09/2026



