“Há cerca de um ano, nas últimas eleições autárquicas, fomos adversários. Representávamos projetos políticos muito diferentes, mas o Nuno fazia questão de nos recordar, pela forma como se relacionava connosco, uma coisa que a política por vezes esquece: um adversário não é um inimigo”, escreveu Sérgio Aires na sua página de Facebook.
Nuno Cardoso voltou a candidatar-se à Câmara do Porto, em 2025, pelo movimento Porto Primeiro (coligação NC/PPM).
Sérgio Aires, vereador na Câmara do Porto no anterior mandato, recordou “a simpatia, o sorriso e a proximidade” com que Nuno Cardoso recebia os outros candidatos autárquicos e garantiu nunca ter sentido em Cardoso “aquela necessidade, infelizmente tão comum, de transformar uma divergência numa fronteira entre pessoas”.
Invocando o seu “humanismo, o gosto pelas pessoas e, sobretudo, um amor incondicional ao Porto”, relembrou Nuno Cardoso “como alguém com quem foi possível ser adversário sem deixar de haver respeito, simpatia e até cumplicidade em alguns momentos”.
“É uma forma de fazer política que também fica mais pobre com a sua partida”, terminou.
O antigo presidente da Câmara do Porto Nuno Cardoso morreu esta madrugada aos 64 anos, no Hospital de Santo António, no Porto, confirmou hoje à Lusa fonte próxima do ex-autarca, que liderou a cidade entre 1999 e 2002.
Engenheiro de profissão, Nuno Cardoso chegou a presidente de câmara ao substituir Fernando Gomes, que tinha sido eleito pelo PS e saiu para o Governo, e encabeçou várias pastas determinantes para a cidade, incluindo a Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura e a Metro do Porto.
Nuno Cardoso, nascido no Peso da Régua, no distrito de Vila Real, foi também professor universitário na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), presidente da Águas do Douro e Paiva.
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