Blanche, antigo advogado do Presidente norte-americano, Donald Trump, e procurador-geral desde 10 de agosto, participou, desde que assumiu o cargo, em três ações de campanha do Partido Republicano para as intercalares de 03 de novembro próximo.
A 14 de agosto, interveio num evento em Long Island (Nova Iorque) de apoio ao candidato republicano a governador de Nova Iorque, Bruce Blakeman; a 09 de setembro, esteve na convenção intercalar realizada pelos republicanos em Dallas; e na quarta-feira, discursou num comício de Michael Whatley, candidato a senador na Carolina do Norte.
Estas participações reacenderam o debate na comunicação social norte-americana sobre a independência do Departamento de Justiça em relação ao poder e aos interesses político-partidários, um princípio não-escrito mas respeitado no país desde o escândalo Watergate, que causou a demissão do então presidente republicano, Richard Nixon, em 1974.
Todd Blanche quebrou a tradição de os procuradores-gerais se manterem à margem de campanhas eleitorais, apesar de o Departamento de Justiça afirmar que as suas intervenções ocorreram a título pessoal e foram financiadas pelo próprio.
Por outro lado, uma norma interna do Departamento de Justiça que proibia os funcionários politicamente nomeados de comparecerem em ações de campanha ou eventos de angariação de fundos foi revogada em março deste ano pela ex-procuradora-geral e antecessora de Blanche, Pam Bondi.
Além do debate público sobre a pertinência das intervenções de Blanche em ações de campanha republicanas, uma organização norte-americana sem fins lucrativos, a Public Citizen, apresentou em agosto uma queixa junto do Gabinete do Procurador Especial dos Estados Unidos.
A queixa da Public Citizen, que alega que o procurador-geral violou a Lei Hatch, um diploma que proíbe os funcionários federais de usarem o cargo ou agirem oficialmente para influenciar eleições, aguarda ainda resolução.
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