“Não há dúvida de que a história da relação entre o Líbano e os EUA é antiga e profundamente enraizada, tão antiga quanto os princípios e valores humanos e sociais que uniram a sua visão”, afirmou Aoun numa mensagem dirigida ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Na mensagem, divulgada pela agência noticiosa estatal libanesa NNA, Joseph Aoun acrescentou que “hoje, esta relação fortalece-se graças à sua determinação e aos seus esforços incansáveis para restabelecer a segurança no Médio Oriente em geral, e no Líbano em particular”.
“Apreciamos os seus esforços neste sentido e exortamo-lo a continuar a apoiar firmemente as causas justas do Líbano, bem como as suas instituições, o seu exército e o seu povo, para que possamos deixar para trás as guerras, as tragédias e a dor, e abrir uma nova página de esperança, paz e estabilidade”, reforçou.
Aoun referia-se assim à mediação dos EUA que permitiu a assinatura, no passado dia 26 de junho, do acordo-quadro alcançado com Israel para a paz entre os dois países, que o presidente libanês considera um “primeiro passo” para a recuperação da plena soberania do Líbano e compromete-se a continuar a trabalhar até concretizar esse objetivo.
No entanto, o grupo xiita libanês Hezbollah considera que o acordo é “uma humilhação, uma vergonha e uma renúncia à soberania”, e compromete-se a prosseguir a luta no terreno até que Israel retire as suas tropas do sul do Líbano.
Já a embaixada dos Estados Unidos em Beirute emitiu hoje um comunicado por ocasião do 250.º aniversário da independência dos EUA, no qual reiterou: “É com grande orgulho que apoiamos o povo do Líbano enquanto este constrói um futuro mais brilhante: um futuro de paz, prosperidade e esperança há muito esperado”.
Israel e Líbano assinaram um acordo-quadro em Washington, com o objetivo declarado de preparar o caminho para a “paz e segurança duradouras” entre os dois países.
No momento em que era revelado o acordo entre as delegações de Israel e do Líbano, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que o exército do seu país permanecerá no sul do território libanês até que o grupo xiita Hezbollah, aliado do Irão, entregue as suas armas.
Israel vai, no entanto, permitir que o exército libanês assuma o controlo de “duas zonas piloto”, uma a sul do rio Litani e outra a norte, a cerca de 30 quilómetros da fronteira entre os dois países.
Sob os auspícios dos Estados Unidos, Líbano e Israel iniciaram negociações diretas em Washington em meados de abril, com a oposição do Hezbollah, altura em que acordaram um cessar-fogo que nunca foi respeitado.
O memorando de entendimento, acordado entre Estados Unidos e Irão para suspender a guerra, lançada em 28 de fevereiro pela ofensiva israelo-americana contra a República Islâmica, estipula “o termo imediato e permanente das operações militares em todas as frentes”, incluindo o Líbano.
O texto prevê também que a integridade territorial libanesa deve ser garantida, referindo-se à presença no sul do país de tropas de Israel.
Apesar da trégua, Israel realiza ataques quase diariamente contra alegados alvos do Hezbollah e justifica a sua ocupação no país vizinho como medida de segurança para proteger o seu território da ameaça representada pelo grupo xiita libanês.
O Irão tem por sua vez alertado reiteradamente que as negociações com vista a um acordo de paz definitivo com Washington estão ameaçadas pela continuação dos ataques israelitas no Líbano.
Desde 02 de março, pelo menos 4.240 pessoas morreram e cerca de 12.200 ficaram feridas, de acordo com a última atualização do Ministério da Saúde libanês, em resultado dos ataques israelitas, que causaram também acima de um milhão de deslocados.
Leia Também: Antuérpia dá a Trump anel com diamantes, safiras, esmeraldas e rubis



