“A nossa única opção é a soberania nacional e o nosso único compromisso é com o Estado libanês”, declarou Joseph Aoun.
O líder libanês falava durante uma reunião com o comandante do exército, Rudolph Haykal, e a equipa de conselheiros que acompanham as negociações de paz com Israel, no dia em que está prevista uma ronda de diálogo em Washington enquanto prosseguem os confrontos entre as forças israelitas e o Hezbollah.
“Os acontecimentos dos últimos dias demonstraram a relevância da nossa decisão de iniciar as negociações, uma vez que este é o único caminho adotado a nível global para alcançar os objetivos nacionais e restaurar todos os direitos”, sustentou.
Aoun manifestou confiança de que a nova ronda de conversações poderá resultar numa decisão para garantir os objetivos definidos por Beirute, que incluem “a restauração da plena soberania do Líbano sobre cada centímetro do território” e a aplicação da autoridade estatal em todo o país.
O Presidente libanês reiterou que só as instituições estatais podem garantir a proteção de todos os cidadãos, preservar as liberdades e assegurar a estabilidade do país.
Esta visão, prosseguiu, responde tanto às lições da história recente do Líbano, como à vontade popular, apesar da pressão colocada pelo Hezbollah, que tem manifestado oposição às negociações com Israel, bem como às ordens de se desarmar.
A ronda de conversações com Israel, mediadas por Washington, ocorre na primeira semana de negociações de paz entre Estados Unidos e Irão, depois de as partes terem assinado um memorando de entendimento para encerrar as hostilidades, iniciadas em, 28 de fevereiro pela ofensiva israelo-americana contra a República Islâmica, num acordo que preliminar que abrange o Líbano.
O Hezbollah acusou hoje Israel de violar o cessar-fogo ao matar duas pessoas e ferir duas no sul do Líbano, num ataque confirmado pelo exército israelita, que alegou ter visado militantes do grupo libanês aliado do Irão.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, alertou na segunda-feira que os soldados destacados no sul do Líbano “têm total liberdade de ação para neutralizar qualquer ameaça direta ou potencial contra eles ou contra os habitantes do norte” de Israel.
O Líbano foi arrastado pelas milícias xiitas libanesas para a nova guerra na região ao reatarem, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita.
Israel respondeu com bombardeamentos intensivos e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do país vizinho desde o conflito anterior.
Desde 2 de março, pelo menos 4.192 pessoas morreram e 12.171 ficaram feridas, de acordo com a última atualização do Ministério da Saúde libanês, em resultado dos ataques israelitas, que causaram também acima de um milhão de deslocados.
As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra de Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e interrompido com o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão.
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