Pedro Passos Coelho aproveitou, na terça-feira, a ocasião da apresentação de um livro, no auditório da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, para fazer reparos e deixar recados, talvez no tom mais forte até então. No mesmo evento e a assistir na primeira fila estava o líder do Chega, André Ventura.
Numa apresentação que durou quase uma hora, e onde nunca referiu nomes, o antigo primeiro-ministro criticou os políticos que para tentarem agradar a todos ainda mais do que os populistas, se tornam “postiços”, comparando-os a “prostitutos sem caráter”.
Defendeu que a política tem de ter liderança e criticou a “maldição que tomou conta do espaço europeu e também do espaço português” que se manifesta nos “líderes não quererem desagradar ninguém”, o que considera ser “uma coisa virtualmente impossível pelo menos durante muito tempo”.
Passos avisou ainda de que quando, com medo do populismo, o político ‘mainstream’ “lhe veste a casaca para evitar que o populismo chegue com o voto ao palácio e resolve ser mais populista do que o populista, normalmente a história mostra que a coisa não funciona”.
“O que é autêntico e genuíno sempre se manifesta e de uma forma muito mais eficaz do que o que é postiço e então o postiço fica sem nada: fica sem integridade, fica como um prostituto sem caráter, sem reduto de pensamento, simplesmente vendido ao aplauso que o momento lhe possa fornecer”, atirou, alertando: “mas a mesma multidão que o aplaude condena-o passado muito pouco tempo quando o futuro que não é desejado chega”.
“Há pessoas que não se importam de perder a defender aquilo em que acreditam e o mundo vive disso: o mundo não vive daqueles que só querem ganhar com as ideias dos outros”, recordou.

Passos ataca políticos “postiços”: “Prostitutos vendidos ao aplauso”
O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho criticou hoje os políticos que, para tentarem agradar a todos ainda mais do que os populistas, se tornam postiços, comparando-os a “prostitutos sem caráter”. Falou, ainda, das mudanças nas regras da imigração, que saudou.
Lusa | 20:23 – 26/05/2026
Governo? Era “bom” que ganhasse “mais ritmo”
Antes da apresentação, o ex-líder do PSD já tinha trocado umas palavras com Ventura e foi mesmo ladeado pelo presidente do Chega, em frente aos microfones dos jornalistas, que aproveitou para comentar a governação da AD.
“Era bom que as coisas ganhassem um pouco mais de ritmo, a expectativa é essa que as pessoas têm, quando fazem escolhas”, referiu Passos, numa aparente alusão às escolhas eleitorais dos portugueses, admitindo que “parecem impacientes”.
Ventura seguiu a onda, referindo que “as pessoas esperam que esta maioria no Parlamento faça estas mudanças” e Passos retorquiu: “Pois, eu julgo que sim. Pelo menos, estão prometidas”.
Esta não foi a primeira vez que o antigo primeiro-ministro criticou o atual Governo da AD (PSD/CDS-PP) liderado por Luís Montenegro, nos últimos meses tem feito várias intervenções nesse sentido.

Em conversa com Ventura, Passos critica lentidão política do Governo
Depois de não ter querido falar à comunicação social, Passos Coelho cumprimentou o líder do Chega, que também estava no mesmo evento, com Ventura a transmitir-lhe que tem “sempre saudades de uma grande figura”.
Lusa | 19:29 – 26/05/2026
Mas nem tudo foram críticas. Passos Coelho saudou que tenham sido tomadas em Portugal medidas para estancar uma imigração “considerada excessiva pela generalidade das pessoas”. “Ao ritmo a que as coisas estavam, qualquer dia estaríamos com certeza a falar não do povo português, nem da cultura portuguesa nem de coisa nenhuma”, afirmou.
Acrescentando que “seria o último a fazer considerações de natureza racista”, reforçou que “isso é diferente de a gente dizer ‘sim senhor, portas abertas tudo bem, uma moeda universal porque não, um governo universal'”. “Não parece que fosse uma boa ideia”, disse.
“Saudades de uma grande figura”
Sobre o ressurgimento de Passos Coelho, André Ventura disse ser algo positivo, considerando que “as pessoas que tiveram altos cargos no país e têm algo a dizer e têm capacidade, não devem ficar encurraladas nem desviadas no espaço público”, devem “poder falar e poder dizer o que pensam”, mas defendeu que “podia dizer mais e podia clarificar mais” ao que vem. O presidente do Chega transmitiu ainda ao próprio que tem “sempre saudades de uma grande figura”.
Questionado se acompanha a atividade do Chega, o antigo primeiro-ministro disse “acompanhar a política portuguesa toda, como cidadão interessado”, repetindo que, ao contrário de André Ventura, não está no ativo.
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