A agência noticiosa espanhola EFE relatou que os autores das pilhagens saíam das lojas carregando grandes sacos de alimentos e bebidas, num ambiente de tensão e angústia.
Embora a polícia esteja presente em muitas zonas, o número de pessoas nas ruas é muito elevado, descreveu a EFE, que assistiu à pilhagem de três estabelecimentos comerciais.
Minutos depois, uma caravana de camiões com a bandeira da China, um aliado próximo da Venezuela, chegou à região com ajuda humanitária.
Particulares também fizeram chegar mantimentos em camiões e viaturas privadas.
Água, farinha, arroz, enlatados, óleo e roupa foram entregues às vítimas dos sismos.
Num terminal rodoviário, foi montado um espaço para a distribuição de alimentos e outros bens de primeira necessidade, incluindo fraldas para bebés e idosos.
Numa longa fila sob um sol abrasador, esperava Yanaika Sanz, 24 anos, com um familiar.
“A tragédia de Vargas repetiu-se, é triste. Só Deus sabe porque é que as coisas acontecem”, disse a jovem à EFE, recordando o deslizamento de terras de 1999 no estado que passou a chamar-se La Guaira desde 2019 e que foi um dos mais afetados pelo duplo sismo registado na quarta-feira.
Yanaika Sanz relatou que o seu bairro não sofreu grandes danos, mas, face ao encerramento do comércio e ao caos na cidade, decidiu deslocar-se ao terminal em busca de ajuda alimentar.
“Os negócios fecharam e não querem oferecer ajuda. Outros abriram e ajudaram de boa-fé, fornecendo donativos como carne e legumes”, observou.
Na mesma fila estava Ricardo Urbaneja, um assistente administrativo que explicou à EFE que também tinha ido ao local à procura de fraldas para o seu bebé de três semanas.
“Neste momento estão a distribuir fraldas, e é por isso que estou aqui. Penso que também estão a distribuir latas de atum, massa e arroz”, acrescentou.
A sua casa não foi danificada e não sabe se algum dos seus familiares foi afetado, pois não consegue contactá-los devido à falta de energia elétrica.
O número de mortos nos sismos que atingiram a Venezuela subiu hoje para 929, registando-se também 3.360 feridos, segundo o último balanço divulgado pelo presidente do parlamento.
O primeiro sismo, com magnitude de 7,2 na escala aberta de Ritcher, ocorreu a cerca de 200 quilómetros de Caracas, seguido por um segundo com magnitude 7,5 e dezenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
Dezenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na capital e na região de La Guaira.
As autoridades venezuelanas decretaram o estado de emergência, enquanto prosseguem as buscas por sobreviventes e a ONU estima que mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas.
Entre os mortos, há pelo menos 28 portugueses e luso-descendentes, e outros 85 estão desaparecidos.
Portugal e outros sete países da União Europeia vão enviar equipas de busca e salvamento para a Venezuela.
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