“Passaram seis meses desde que a tempestade Kristin atingiu a região do centro do país – inserida numa sucessão de tempestades – provocando a perda de vidas humanas, um rasto de destruição de grande dimensão e uma profunda perturbação na vida de largos milhares de pessoas que perdura até hoje. De então para cá, apesar dos alertas e das reivindicações de muitos dos que foram atingidos, o Governo PSD/CDS fugiu às suas responsabilidades”, acusa o PCP numa nota divulgada hoje.
Os comunistas acusam o Governo de deixar “as populações entregues a si próprias” e consideram que a estratégia agora passa por tentar que o assunto “caia no esquecimento”.
“A situação reclama um significativo reforço de verbas de investimento para apoiar as autarquias e reconstruir equipamentos e infraestruturas públicas danificadas, ou mesmo novas infraestruturas que previnam novos acontecimentos, como é o caso do empreendimento hidroagrícola do Mondego”, defendem, pedindo também “medidas que reforcem a capacidade de construção civil que não se limite a verificar as insuficiências do mercado”.
O PCP alega que “o fundamental dos apoios” prometidos, “já de si limitados” para “apoio aos rendimentos perdidos, à reposição de capacidade produtiva e à reconstrução de casas, equipamentos, infraestruturas, públicas e não só, continua por fazer”.
“Passados seis meses continuam por avaliar, decidir e concretizar milhares de candidaturas à reconstrução de casas que foram danificadas. A maioria dos pequenos e médios agricultores e empresários não teve ainda qualquer apoio. Os trabalhos de abertura de caminhos rurais e florestais não foram concluídos antes do Verão e cerca de 90% das árvores tombadas pelo vento ainda continuam no chão, com os riscos que isso comporta em termos de incêndios florestais”, elenca.
O PCP considera também que “a situação exigia uma mobilização excecional de meios que o Governo sempre se recusou a fazer”, optando “pela propaganda e pelo somatório de anúncios, com destaque para a fraude política que constitui o PTRR”.
“A situação de destruição que ainda hoje se verifica nas cidades de Leira ou da Marinha Grande, os impactos verificados nos estuários do Mondego e Sado (sul do país), a realidade de amplas zonas florestais com milhões de árvores tombadas, a situação da rede viária como em Arruda dos Vinhos, são exemplos vivos que reclamam não apenas denúncia, mas a mobilização dos meios — e eles existem – que têm sido negados”, criticam.
Os comunistas prometem ainda “não largar este assunto” e continuar “a tomar a iniciativa até que cheguem as respostas que as populações justamente reclamam”.
Vários temporais, com destaque para as depressões Kristin, Leonardo e Marta, atingiram o território continental em três semanas a partir do final de janeiro, causando pelo menos 19 mortos, mais de metades deles durante trabalhos de recuperação, várias centenas de feridos, desalojados e deslocados, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo.
Mais de 35 mil habitações foram afetadas no todo do país, um número superior a um milhão de pessoas ficaram sem eletricidade, meio milhão de clientes sem telecomunicações, mais de 18 mil sinistros ou ocorrências de emergência foram registadas até ao fim da primeira quinzena de fevereiro e foram apresentadas mais de 200 mil participações de sinistros.
Na sequência das tempestades foi anunciado, no final de abril, o programa PTRR – Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, com um envelope financeiro global de 22,6 mil milhões de euros para executar 96 medidas, até 2035, para recuperação económica do país depois das consequências do mau tempo.
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