A Organização para o Resgate e Investigação de Cetáceos na Austrália (ORRCA) divulgou, na quarta-feira, imagens do que descreveu ser “apenas o quarto nascimento completo de uma baleia-jubarte alguma vez registado em vídeo em qualquer parte do mundo, e o primeiro de sempre captado por um drone”. A entidade assinalou que o parto aconteceu no dia anterior, na costa de Nova Gales do Sul, mas que, por forma a “proteger o bem-estar da mãe e da cria”, não divulgaria a localização exata.
“[No] dia 28 de julho, o operador de drones da ORRCA, Alexander Forrest, testemunhou e documentou o que se acredita ser apenas o quarto nascimento completo de uma baleia-jubarte alguma vez registado em vídeo em qualquer parte do mundo, e o primeiro de sempre captado por um drone. Depois de ter reparado numa fêmea adulta a exibir um comportamento invulgar durante a sua migração para norte, Alexander observou o nascimento de uma cria recém-nascida e o seu primeiro suspiro”, escreveu a organização sem fins lucrativos, nas redes sociais.
Acompanhado pela colega piloto de drones da ORRCA, Tanya Snowden, e o amigo Dominic Cotter-Dephoff, o fotógrafo de vida selvagem “continuou a documentar a mãe e a cria durante várias horas, recolhendo observações comportamentais valiosas durante as primeiras horas críticas de vida da cria”.
A ORRCA fez notar que, apesar de baleias-jubarte darem à luz todos os anos, “testemunhar e documentar toda a sequência de nascimento é excecionalmente raro”. Nessa linha, “cada observação como esta tem o potencial de ampliar a nossa compreensão sobre a reprodução das baleias-jubarte, o comportamento materno e as fases mais precoces da vida de uma cria”.
“A equipa de investigação da ORRCA irá agora realizar uma análise científica exaustiva das imagens e das observações de campo associadas, sendo que os resultados serão preparados para publicação sob a forma de uma nota científica sujeita a revisão por pares. Esperamos que este encontro notável contribua de forma valiosa para a compreensão internacional destes animais incríveis. Para proteger o bem-estar da mãe e da cria, não iremos divulgar a localização deste encontro”, rematou.
O fotógrafo, por seu turno, relatou que, naquele dia, “o oceano parecia estar repleto de atividade”. “Entre as baleias que migravam para sul e para norte, uma destacava-se – um adulto solitário, a nadar em águas pouco profundas a uma velocidade muito lenta. O meu primeiro instinto: talvez estivesse a dormir? Não fazia ideia da raridade que estava prestes a documentar… A baleia subiu repentinamente em direção à superfície, por isso carreguei no botão de gravação – cada respiração é uma oportunidade para captar um comportamento único. Neste caso, ela não subiu para expirar, mas para dar à luz a sua nova cria. Foi extraordinário – a minha adrenalina disparou, e isso reflete-se nas imagens”, descreveu, na rede social Instagram.
Forrest sublinhou que foi “um privilégio ter testemunhado um momento tão notável, e ainda mais gratificante saber que poderá contribuir para a ciência dos mamíferos marinhos nos próximos anos”, tendo apontado que, naquele momento, “não era apenas um cineasta ou um fotógrafo”. “Era um espectador.”
Recorde-se que, na década de 1970, os Estados Unidos classificaram as baleias-jubarte como estando em perigo de extinção, devido à caça comercial à baleia, de acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA). A entidade apontou que foi estabelecida uma moratória definitiva sobre a caça comercial à baleia em 1985 e, atualmente, quatro dos 14 segmentos populacionais distintos continuam a ser protegidos como espécies em perigo de extinção. Apenas um está classificado como espécie ameaçada. Aliás, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), o estado de conservação desta espécie é “pouco preocupante”.
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