Em nota de repúdio, a terceira força parlamentar moçambicana manifestou “profunda dor, indignação e revolta” pelo assassínio de Pesado Alfinete, brigadeiro reformado e antigo combatente do partido, descrito pela formação política como um militante que dedicou parte da sua vida à luta pela democracia em Moçambique.
“O brigadeiro Pesado foi um companheiro que dedicou parte da sua vida à Renamo e à luta pela edificação da democracia e do pluralismo político em Moçambique”, refere-se no documento.
Aquela formação política considera que a morte é “uma perda irreparável para a família, para os seus companheiros e para o partido” e defende que os responsáveis pelo crime devem ser levados à justiça: “Os autores materiais deste assassinato devem ser identificados e responsabilizados, e qualquer eventual mandante ou motivação associada ao crime deve igualmente ser apurada”.
O partido critica ainda a falta de esclarecimento de alguns crimes violentos ocorridos no país, afirmando não querer “mais investigações que terminem sem respostas”.
“Não queremos que o assassinato de um cidadão, muito menos de um dirigente ou membro de uma força política, seja tratado como uma ocorrência banal”, acrescenta no documento.
A formação política, liderada por Ossufo Momade, sustenta que a violência “nunca poderá substituir o debate político”, defendendo que as divergências devem ser resolvidas “através das ideias, do diálogo, das instituições democráticas e do voto, jamais através das balas”.
Embora sem atribuir responsabilidades pelo crime, a Renamo enquadrou o caso num discurso mais amplo sobre alegada violência política no país, divulgando uma imagem com os dizeres “basta de assassinatos de opositores políticos” e “crimes políticos exigem justiça”.
Entretanto, numa publicação na sua página oficial do Facebook, a Renamo convocou a comunicação social para uma declaração oficial esta tarde.
A denúncia da Renamo surge dias depois de a Aliança Nacional por um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), partido fundado pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, denunciar o assassínio de pelo menos 57 dos seus membros desde a criação da formação política, em agosto de 2025.
O caso mais recente apontado pelo partido foi o do mobilizador distrital de Morrumbene, na província de Inhambane, Ilídio Facitela Gustavo, alegadamente sequestrado e morto em 12 de setembro.
No próprio dia do crime, Venâncio Mondlane afirmou que a vítima constava da lista de testemunhas que pretendia apresentar no processo que corre no Tribunal Supremo relativo às manifestações de contestação aos resultados das eleições presidenciais de 09 de outubro de 2024.
Os protestos, que se prolongaram durante cerca de cinco meses, provocaram mais de 400 mortos, a maioria em confrontos com a polícia, além de episódios de violência e saque de infraestruturas públicas e privadas.
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