Merz afirmou, em entrevista ao jornal Bild am Sonntag, que se trata de “medidas de alívio rápidas e profundas para a economia”, especialmente para as pequenas e médias empresas.
“Vou convocar toda a equipa para enfrentar esta tarefa”, acrescentou, antes de um Conselho de Ministros de dois dias, na terça e quarta-feira, no Castelo de Neuhardenberg, no estado de Brandemburgo, no leste do país.
Segundo uma sondagem do instituto YouGov, 36% dos alemães acreditam que Merz não irá concluir o seu mandato e apenas 29% preveem que chegará às eleições gerais previstas para 2029.
Outros 18% acreditam que Merz deixará o cargo ainda este ano e apenas 9% dos inquiridos consideram-no a pessoa mais adequada para liderar o Governo, enquanto 25% preferem o governador da Renânia do Norte-Vestfália, Hendrick Wüst — também membro do partido conservador União Democrata Cristã (CDU).
No entanto, 66% dos inquiridos responderam que não sabiam.
A agenda da reunião governamental inclui temas relacionados com as alterações climáticas, a proteção contra vagas de calor e a recuperação económica, que, segundo Merz, é o principal desafio.
O líder alemão, que foi vaiado na sua primeira aparição pública após as férias numa zona afetada por um incêndio florestal, abordou ainda as críticas que o seu Governo tem vindo a receber e frisou que não levarão o executivo a abandonar os seus objetivos.
“O Governo não se desviará do seu caminho. Sabemos do que o país precisa. Não nos deixaremos enganar”, rebateu.
A coligação governamental acordou antes da pausa parlamentar de verão as linhas gerais de uma série de reformas, sobretudo no sistema de segurança social com base nas sugestões de uma comissão de peritos.
No entanto, surgiram críticas a vários aspetos das reformas dentro dos próprios partidos da aliança no Governo.
“Antes da pausa de verão, chegámos a acordos históricos. Agora, precisamos de os implementar o mais rapidamente possível”, comentou o líder do Governo de coligação da CDU com a União Social Cristã (CSU) da Baviera e o SPD (Partido Social-Democrata da Alemanha), apontando os temas do crescimento e emprego
“Estas são as questões-chave para o Governo”, observou.
No mesmo dia em que foi divulgada a entrevista de Friederich Merz, Alice Weidel, copresidente da AfD manifestou hoje confiança de que o seu partido conseguirá formar governo na Saxónia-Anhalt após as eleições regionais previstas para 10 de Setembro,
Ao mesmo tempo, vaticinou que Merz “nunca mais ganhará uma eleição geral” na Alemanha.
“Vamos formar governo na Saxónia-Anhalt” afirmou Weidel em entrevista ao segundo canal de televisão da Alemanha (ZDF), reforçando que a CDU também “nunca mais ganhará uma eleição regional”.
Weidel acusou a CDU de ter um ADN assente em “mentiras” e salientou como principais pontos da política do seu partido a rejeição da imigração, propostas para sair do Espaço Schengen e da Zona Euro, e a abolição de todas as medidas de combate às alterações climáticas.
Até à data, apesar dos bons resultados eleitorais, a AfD não conseguiu entrar em nenhum governo regional na Alemanha devido ao bloqueio imposto por outros partidos contra a extrema-direita.
“Sempre dissemos que o cordão sanitário é a coisa mais antidemocrática que existe. A CDU é a que mais sofre com as consequências, como mostram as sondagens. Venceremos na Saxónia-Anhalt, venceremos em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e em Berlim”, comentou Weidel, referindo-se às três eleições regionais de setembro.
Uma sondagem revelada na semana passada indicou que a AfD lidera as intenções de voto na Alemanha, com cinco pontos de vantagem sobre os conservadores da CDU/CSU, no poder há ano e meio.
A sondagem Politbarometer divulgada pela estação de televisão pública ZDF, considerado um dos barómetros políticos mais fiáveis na Alemanha, mostrou que, se as eleições gerais tivessem lugar agora, a AfD seria a força política mais votada, com 27% dos votos, com uma margem confortável sobre o bloco conservador formado pela CDU e a CSU da Baviera, com 22%.
A consulta abrangeu também as três eleições regionais que vão decorrer nos três estados federados do Leste da Alemanha.
De acordo com a sondagem, 64% dos inquiridos, 66% no oeste e 53% no leste da Alemanha, preferem que a AfD não vença as eleições de 06 de setembro no estado federado da Saxónia-Anhalt, e as de 20 do mesmo mês nos estados federados de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e na cidade-estado de Berlim, enquanto 23% aprovariam chefes de governos regionais do partido de extrema-direita e 11% disseram ser indiferentes.
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