“A minha determinação é continuar o rumo das reformas, sem rutura, mas sei que (…) temos de as explicar melhor”, disse o conservador Friedrich Merz, no final de uma reunião da direção do seu partido, a CDU, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
O partido da extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), antimigração e pró-Rússia, venceu as eleições no estado da Saxónia-Anhalt, no leste da Alemanha, com 43,8% dos votos e ficou a apenas três deputados da maioria absoluta.
Impopular pelas disputas no seio da coligação com os sociais-democratas sobre as reformas a implementar e por vários deslizes, Merz reconheceu ter uma parte de responsabilidade na derrota.
Admitiu que o crescimento eleitoral da AfD muda os dados do jogo “em toda a Alemanha”.
O resultado deixa a extrema-direita à beira de governar pela primeira vez desde 1945.
“Está em jogo, nem mais nem menos, o futuro do nosso país”, afirmou, antes de recordar que foi “eleito para um mandato de quatro anos” a partir de 2025, parecendo assim excluir qualquer possibilidade de demissão.
“Desistir não é uma opção”, afirmou, de acordo com a AFP, depois de a AfD ter sugerido que antecipasse as legislativas para permitir a eleição de um novo chefe do Governo federal “antes do Natal”.
O dirigente conservador disse que aceitava o resultado das eleições na Saxónia-Anhalt, mas sublinhou que as instituições são estáveis e os valores constitucionais alemães “não serão negociados”.
“Estamos todos profundamente chocados. Não esperávamos isto desta forma. Como é evidente, temos de o aceitar”, afirmou o também líder da União Democrata-Cristã (CDU, na sigla original).
Merz realçou que aceitar os resultados é a “própria essência da democracia” e reiterou que há coisas que não são submetidas a votação, como “as normas de convivência e os valores da Constituição” alemã.
Tais valores “não estão sujeitos a negociação por parte do Estado”, declarou numa conferência de imprensa para comentar os resultados nas eleições estaduais, também citado pela agência de notícias espanhola EP.
“No nosso país, o poder é concedido, não arrebatado, e a minoria não é inimiga da maioria”, afirmou, numa mensagem destinada não só aos alemães, mas também aos parceiros europeus, na sequência do alarme gerado pelo triunfo da extrema-direita.
“Sabemos que a Alemanha tem uma responsabilidade especial devido à sua História. Manteremos sempre a nossa ordem política e o nosso firme enraizamento na Europa”, acrescentou, numa alusão ao passado nazi do país.
O chanceler alemão abriu-se à autocrítica, no meio do desastre eleitoral da CDU no estado, após reconhecer que a sua figura foi “tema recorrente na campanha eleitoral”.
A CDU, que liderava o governo na Saxónia-Anhalt desde 2002, registou uma forte queda nas eleições de domingo ao ficar-se pelos 17,2% dos votos, menos de metade dos 37,1% com que venceu em 2021.
O líder da CDU na Saxónia-Anhalt, Sven Schulze, reconheceu que a AfD dispõe de um “mandato para governar” após o triunfo eleitoral de domingo.
“O mandato para governar está a partir de agora nas mãos da AfD”, comentou Schulze ao lado de Merz, referindo que a CDU está agora na oposição na Saxónia-Anhalt.
O candidato da AfD a chefiar o executivo na Saxónia-Anhalt, Ulrich Siegmund, anunciou hoje que o partido vai tentar encontrar apoio para garantir os três votos que lhe faltam para governar.
Siegmund poderá querer aliciar deputados da CDU e contar com o apoio tácito da Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), formação pró-russa de esquerda, cujo candidato local, Thomas Schulze, excluiu hoje participar em qualquer “cordão sanitário” contra a AfD.
[Notícia atualizada às 14h36]
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