O barco tinha partido de Berck-sur-Mer (Pas-de-Calais) na quinta-feira, dia em que o corpo de um homem, possivelmente sudanês, foi encontrado na praia de Berck, disse o Ministério Público francês.
A estação da Sociedade Nacional de Salvamento Marítimo (SNSM) de Berck interveio na quinta-feira às 06:25 (05:25 em Lisboa) para escoltar o barco em dificuldades a caminho de Inglaterra, com mais de 150 passageiros a bordo, um recorde, afirmou Jean-Marc Lamblin, responsável por esta estação.
Este barco, apesar de já se encontrar danificado aquando do embarque, conseguiu chegar às águas britânicas, afirmou Lamblin.
De acordo com a agência de notícias britânica Press Association, este “mega-barco” de 13 metros transportava 165 passageiros.
Ao longo do dia de quinta-feira, as autoridades britânicas explicaram ter registado a chegada de três embarcações às suas águas, transportando um total de 366 migrantes, ou seja, uma média de mais de 120 pessoas por embarcação.
Pelo menos um corpo foi encontrado.
Foi aberto um inquérito sobre o corpo encontrado, que deverá “determinar se esta morte está relacionada com a partida de um barco que, pouco antes, tinha ido buscar várias pessoas à praia de Berck, nas proximidades do local onde a vítima foi encontrada”, indicou a procuradora de Boulogne-sur-Mer, Cécile Gressier.
Segundo a mesma fonte, “poderá tratar-se de um sudanês de 38 anos”.
As travessias clandestinas do Canal da Mancha diminuíram mais de 40% em termos homólogos no primeiro semestre de 2026, enquanto Londres pressiona as autoridades francesas a adotarem uma postura mais firme na fronteira, incluindo no mar, onde as convenções internacionais não permitem intervir se isso colocar vidas humanas em risco.
Segundo o Ministério do Interior britânico, as forças de segurança francesas procederam, neste contexto, a seis interceções de embarcações de migrantes no mar nos últimos dois meses.
De acordo com Lamblin, os traficantes “aumentaram ainda mais o tamanho das embarcações” utilizadas para transportar os candidatos ao exílio para Inglaterra, que normalmente têm 8 ou 10 metros.
Há duas semanas, um barco tinha feito a travessia com 128 pessoas a bordo, o que já constituía um recorde, segundo os meios de comunicação britânicos.
Sem confirmar o número, um porta-voz do Ministério do Interior disse à agência de notícias France-Presse que “as redes de traficantes de migrantes estavam a correr mais riscos do que nunca, aumentando de ano para ano o número de pessoas que amontoam em barcos não navegáveis”.
O número de chegadas ascende atualmente a 13.007 desde 01 de janeiro e a cerca de 200.000 desde o início das travessias do Canal da Mancha em pequenas embarcações em 2018.
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