Segundo a presidência francesa, a reunião dos três líderes em Paris centrou-se também na substituição da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL), que está no país desde 1978 e cujo mandato expira em dezembro,.
Macrin, Aoun e Abdallah II encontraram-se depois de terem mantido uma reunião “operacional” com os chefes de estado-maior dos seus paises, a que se juntaram os comandantes militares do Reino Unido e Itália, bem como com altos dirigentes norte-americanos e sauditas.
De acordo com o Palácio do Eliseu, esta reunião tinha como objetivo rever o plano de destacamento das Forças Armadas Libanesas de acordo com um “plano claro, credível e realista”.
A presidência francesa pretendia que “o contexto operacional, os parâmetros e as modalidades desta ação fossem clarificados no final deste dia de trabalho”, como pré-requisito para um apoio “muito robusto e operacional” da comunidade internacional, sob a forma de ajuda financeira, equipamento ou formação.
Tratava-se também de “avaliar conjuntamente as necessidades das Forças Armadas libanesas”, indicou uma fonte militar francesa citada pela agência France Presse (AFP).
Estes contactos em Paris são enquadrados pela guerra ente Israel e o grupo xiita Hezbollah, reatada em março como efeito colateral da ofensiva israelo-americana contra o Irão, bem como pela iniciativa das autoridades de Beirute em desarmar as milícias libanesas e entregar o monopólio das armas às forças de segurança estatais.
Israel tem dito reiteradamente que o desarmamento do Hezbollah é uma condição prévia para a sua retirada militar do sul do Líbano, onde os “capacetes azuis” da FINUL estão prestes a terminar o seu mandato.
Após a reunião, Joseph Aoun manifestou a sua “profunda satisfação pelo progresso das discussões”, segundo um comunicado da presidência libanesa, enquanto os ataques israelitas no Líbano prosseguem, apesar do cessar-fogo em vigor.
Na reunião tripartida de hoje, foram também discutidos os esforços para pôr fim destes ataques israelitas no âmbito das negociações de paz entre representantes de Beirute e de Telavive patrocinadas pelos Estados Unidos, que, no entanto, o Hezbollah não reconhece, enquanto recusa entregar voluntariamente o seu armamento.
O Presidente libanês abordou ainda o período pós-FINUL, agradecendo a Emmanuel Macron “pela iniciativa lançada” em conjunto com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.
A França e a Itália, o maior contribuinte de tropas para a UNIFIL, estão a considerar alterações no destacamento internacional.
“Um Líbano soberano e estável é um passo decisivo para a paz e a estabilidade para toda a região”, declarou Emmanuel Macron.
Em entrevista à AFP na terça-feira, Joseph Aoun defendeu o envio de uma nova força, europeia ou não, para evitar um vazio de segurança após a retirada das tropas da FINUL.
O líder libanês também destacou hoje a importância de uma conferência sobre a reconstrução do seu país, que Emmanuel Macron esperava que fosse realizada em simultâneo com uma reunião internacional de apoio às Forças Armadas Libanesas.
Esta última ocorrerá “quando as condições forem adequadas”, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros francês.
A situação no Líbano será um tema central na assembleia-geral da ONU, na próxima semana, em Nova Iorque.
O Líbano foi arrastado pelo Hezbollah para a nova guerra na região ao reatar, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita, como retaliação da ofensiva israelo-americana contra o seu aliado iraniano.
Israel respondeu com bombardeamentos intensivos e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do Líbano desde o conflito anterior, provocando mais de 4.300 mortes e deixando acima de um milhão de deslocados, segundo as autoridades de Beirute.
As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra na Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e interrompido com o início do conflito, em 28 de fevereiro, entre Estados Unidos, Israel e Irão.
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