O itinerário pormenorizado da primeira visita de Leão XIV à América Latina enquanto Papa foi hoje divulgado.
Agendada para entre 06 e 17 de novembro, a viagem representará o regresso às raízes para o Papa nascido nos Estados Unidos, mas que também tem nacionalidade peruana e passou duas décadas no Peru exercendo as funções de padre e bispo.
Como mostrou na visita a quatro países africanos em abril, Leão XIV, aos 71 anos, não hesita em percorrer grandes distâncias e trabalhar até altas horas da noite quando está em viagem.
No total, percorrerá um pouco mais que 31 mil quilómetros de voo durante esta viagem — quase o dobro dos 17 mil que percorreu quando se deslocou a Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial.
A visita começará no Uruguai, permitindo ao Papa celebrar uma importante festa católica a 08 de novembro, dedicada à padroeira do país, Nossa Senhora dos Trinta e Três.
A pequena estátua da Virgem remonta às missões jesuítas do século XVIII na região e encontra-se atualmente na cidade de Florida, onde Leão XIV celebrará uma missa, no Santuário Nacional.
O seu antecessor, o argentino Papa Francisco (2013-2025), o primeiro chefe da Igreja Católica nascido no continente americano, nunca regressou à Argentina depois de se ter tornado Papa.
Na segunda etapa da viagem, Leão XIV prestará homenagem à padroeira da Argentina, Nossa Senhora de Luján, cuja estátua, que se encontra na cidade de Luján, província de Buenos Aires, era particularmente querida a Francisco.
O Papa argentino, Jorge Mario Bergoglio, que morreu em 2025, surpreendeu tanto amigos como críticos ao nunca regressar à Argentina natal depois de ter partido para Roma para o conclave de 2013, que o elegeu como 266.º chefe da Igreja Católica.
Tinha sido uma figura que dividia opiniões na sua terra natal, tanto enquanto superior jesuíta como enquanto arcebispo de Buenos Aires, e aparentemente queria evitar alimentar polémicas no país ao não conceder ao partido no poder em qualquer altura os benefícios políticos decorrentes de uma visita papal.
Mas Leão XIV parece disposto a proporcionar finalmente aos fiéis argentinos uma visita papal, a primeira desde as de João Paulo II, em 1982 e 1987.
Em Buenos Aires, Leo visitará a prisão federal — talvez num gesto de reconhecimento ao legado de Francisco na pastoral prisional, trabalho que iniciou quando desempenhava as funções de “padre de bairro da lata” na capital argentina.
O ponto alto da viagem de Leão XIV será, certamente, o regresso ao Peru e, em particular, à sua diocese de Chiclayo.
Robert Prevost foi bispo de Chiclayo entre 2014 e 2023, quando o Papa Francisco o levou para o Vaticano para dirigir o Dicastério para os Bispos.
Na noite da sua eleição, o novo Papa saudou em espanhol a “amada diocese de Chiclayo” na varanda da Basílica de São Pedro e elogiou os fiéis por terem “caminhado ao lado do seu bispo, partilhado a fé e dado tanto para continuar a ser uma Igreja fiel a Jesus Cristo”.
Leão XIV passará a maior parte da sua visita no Peru; chega a Lima a 11 de novembro e parte na tarde do dia 16, após uma missa final em Callao, nos arredores de Lima, onde desempenhou as funções de administrador temporário.
Durante esse período, passará algum tempo em Chiclayo, incluindo num jantar privado com os padres da diocese.
A 15 de novembro, encontrar-se-á com grupos de populares em Cusco, nos Andes peruanos, para celebrar a rica história da cidade.
Cusco foi a capital do Império Inca e uma cidade importante durante o domínio colonial espanhol; hoje, mantém-se como um destino cultural relevante, albergando ruínas como as de Machu Picchu.
No mesmo dia, prestará ainda homenagem aos povos indígenas do Peru ao viajar até Pucallpa, no coração da floresta amazónica peruana, para celebrar uma missa.
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