Questionado sobre as boas práticas e ética política em Portugal, Pedro Passos Coelho considerou, esta quinta-feira, que “não haverá ninguém que esteja despreocupado com o que se passa”. “Estas situações que têm vindo a ocorrer não devem ser tomadas como uma mera espuma dos dias”, apontou ainda o ex-primeiro-ministro.
© Rita Franca/NurPhoto via Getty Images
![]()
Pedro Passos Coelho não quis, esta quinta-feira, comentar diretamente as polémicas das últimas semanas em Portugal, mas disse julgar “que não haverá ninguém que esteja despreocupado”. O antigo primeiro-ministro afirmou ainda que estas não devem ser tomadas como “espuma dos dias”.
“Não queria estar a falar das polémicas mais recentes, podia tê-lo feito, noutras ocasiões, tenho escolhido não o fazer. Disse o que tinha a dizer sobre algumas destas coisas em tempo e não quero estar a acrescentar”, começou por afirmar.
“Julgo que não haverá ninguém que esteja despreocupado com o que se passa”, disse Pedro Passos Coelho, quando questionado sobre as boas práticas e ética política em Portugal.
“Estas situações que têm vindo a ocorrer não devem ser tomadas como uma mera espuma dos dias, porque estão para além da espuma”, vincou ainda o antigo primeiro-ministro em declarações transmitidas pela CNN Portugal – e proferidas à margem da apresentação do estudo “Desbloquear o crescimento de Portugal” realizado pelo Nobel da Economia James A. Robinson.
“Mas isso remete para uma reflexão e para alguma ação que é preciso empreender para a qual eu não quero estar, nesta altura, a deitar achas para a fogueira”, concluiu.
De recordar que as declarações de Passos Coelho surgem um dia depois da conferência de imprensa do ministro da Administração Interna, Luís Neves, para dar esclarecimentos sobre as polémicas relacionadas com os seus mandatos à frente da Polícia Judiciária (PJ) e com as obras numa sua propriedade no Alentejo.
O governante garantiu ter-se sentido apoiado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, e que nunca equacionou apresentar a demissão na sequência das polémicas, acrescentando estar “totalmente legitimado e empoderado” para o cargo que exerce.
Já hoje, o presidente da Assembleia da República, José-Pedro Aguiar-Branco, convocou uma reunião da conferência de líderes para sexta-feira de manhã, na sequência de um pedido do Chega para que a Comissão Permanente faça um debate com os ministros da Administração Interna e da Justiça.

“Ato de boa gestão”, obras e património. Neves diz sentir-se “legitimado”
Após semanas de silêncio, Luís Neves esclareceu, esta quarta-feira, as polémicas que envolvem o seu nome. Numa conferência de imprensa, o atual ministro da Administração Interna explicou “ponto por ponto” os diversos temas e garantiu estar “totalmente legitimado” para continuar o seu trabalho no Governo.
Maria Gouveia com Lusa | 17:59 – 29/07/2026
Receba os principais destaques todos os dias no seu email.



