Os trabalhadores em Portugal nunca chegam a ver cerca de 21,8% do salário, já que esta parcela é relativa a impostos e outras deduções. Esta percentagem, ainda assim, é inferior à média da União Europeia (UE), que se situa nos 29,1%.
Os números foram divulgados pela Euronews Business, que recorreu a dados do Eurostat para calcular o rendimento anual líquido como percentagem do salário bruto, para chegar a um rácio de rendimento disponível. Depois, calculou a parte do salário bruto que é absorvida por impostos e outras deduções, com o objetivo de perceber quanto é que os trabalhadores levam efetivamente para casa.
Importa sublinhar que a percentagem destinada a impostos e deduções varia consoante o estado civil e os filhos a cargo, mas a análise da Euronews Business foca-se, sobretudo, numa pessoa solteira sem filhos.
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Os dados de 2025 do gabinete de estatísticas da UE, divulgados em meados de 2026, mostram que a parcela do salário bruto destinada a impostos e outras deduções varia bastante entre os Estados-membros.
Para uma pessoa solteira sem filhos que ganha o salário médio, varia de 15,1% em Chipre a 41,5% na Roménia, sendo que a média da UE é de 29,1%.
A título de exemplo, na UE, o salário bruto médio anual é de 37.958 euros, enquanto o rendimento líquido é de 26.929 euros. Isto significa que 11.029 euros são canalizados para impostos e outras deduções.
De sublinhar também que ter filhos a cargo pode reduzir de forma significativa a parcela do salário bruto destinada a impostos e outras deduções, em especial para os casais com apenas um rendimento. Para este tipo de agregado, a percentagem varia de -3,3 % na Grécia a 33,4 % na Roménia.
O mesmo meio de comunicação revela que o valor também é negativo na Polónia (-0,6 %), o que significa que o rendimento líquido supera o salário bruto graças a abonos de família e reembolsos fiscais.
Salário médio só descola do mínimo se houver aumento de produtividade
O salário mínimo e o médio estão cada vez mais próximos, verificando-se um fenómeno de compressão salarial, que poderia ser evitado com um aumento da produtividade, consideram economistas ouvidos pela Lusa, que defendem políticas para estimular a atividade.
Segundo uma análise do Banco de Portugal (BdP), o índice de Kaitz, que mede o rácio entre o salário mínimo e o salário mediano, subiu para 91% em 2025, o que compara com 87% em 2019.
Para o economista Pedro Braz Teixeira, o “pecado original” deste fenómeno foi o facto de o salário mínimo ter deixado de ser indexante para os apoios sociais, em 2007, sendo que o aumento deste valor deixou de ter um impacto tão elevado na despesa pública.
Desta forma, a partir de 2007, com a criação do Indexante de Apoios Sociais (IAS), os governos passaram a aceitar “aumentos muito significativos do salário”.
O economista defende que “é necessário que os aumentos do salário mínimo passem a estar mais alinhados com os aumentos de produtividade”, enquanto devem também existir “políticas de promoção da produtividade, que tem crescido muito pouco”.
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