A Iniciativa Liberal (IL) adiantou, esta quarta-feira, que enviou ao Ministério da Educação “um requerimento para o envio de toda a documentação e informação relativa ao projeto de implementação da classificação digital dos exames nacionais”.
No requerimento, a que o Notícias ao Minuto teve acesso, a Iniciativa Liberal explica que, “segundo o Ministério da Educação, Ciência e Inovação, na audição regimental que ocorreu a 1 de julho, estaria decidido por parte do anterior governo liderado por António Costa, uma desmaterialização total (realização de provas e avaliação) que foi revertida pelo senhor ministro, o que levou a uma renegociação do processo em Comissão Europeia, dado que estavam envolvidas verbas do PRR”.
E acrescenta: “O PRR foi a justificação dada para que a digitalização da avaliação de todas as disciplinas não tivesse sido feita de forma faseada”.
O partido refere ainda que, em 2025, “realizou-se um projeto piloto com as provas de Filosofia que teve constrangimentos. Na época, vários professores classificadores tornaram públicas inúmeras queixas que vieram a repetir-se agora”.
“O normal funcionamento do processo de classificação foi afetado, o que levou a um adiamento do calendário incialmente previsto, levantando dúvidas quanto à robustez da solução tecnológica adotada, à preparação da sua implementação e às medidas de mitigação de risco previamente definidas, comprovado pela necessidade de realizar intervenções técnicas, na sequência da identificação de uma vulnerabilidade informática”, refere.
Posteriormente, “segundo esclarecimentos recentes, esta operação logística envolve várias entidades”, tal como a Imprensa Nacional da Casa da Moeda – responsável pela impressão das provas -, as Forças de Segurança, que garante o transporte fiável e seguro até às diversas escolas e das escolas até ao Centro de Alta Segurança da Imprensa Nacional da Casa da Moeda”.
Posteriormente, foi no Centro de Alta Segurança que os “exames foram tratados e digitalizados por professores” e os ficheiros “foram carregados por técnicos do EDUqA, muitos deles professores, na plataforma e só nesse momento intervém uma entidade externa”.
De acordo com a Iniciativa Liberal, a entidade externa, intitulado de BLAT Studios, que colabora com o ministério desde 2018, foi quem “desenvolveu as funcionalidades do SCOI (plataforma), que por sua vez tinha sido criado internamente no Instituto de Avaliação Educativa (IAVE, agora EDUqA).
Após ter sido conhecida a identidade da empresa externa, esta veio esclarecer publicamente que “não é responsável pela digitalização das provas, controlo de qualidade, submissão de ficheiros, gestão de utilizadores, definição de que provas são classificadas, quando o são ou por quem, nem por quaisquer outros procedimentos operacionais do processo de classificação”.
“A plataforma limita-se a disponibilizar aos classificadores os ficheiros tal como os recebe dos sistemas externos e disponibiliza as provas quando a entidade competente assim o entender”, explica.
Desta feita, a Iniciativa Liberal sublinha que, tendo em conta a “relevância desta matéria”, “torna-se indispensável que a Assembleia da República disponha de informação completa sobre todo o processo que envolve a classificação digital dos exames nacionais, tendo a IL já remetido um requerimento com perguntas concretas sobre a salvaguarda dos direitos dos estudantes e dos professores”.
O partido aponta que o processo tem sido comunicado “de forma atabalhoada”, notando que “começou por ser um problema com agrafos, posteriormente a indicação de professores avaliadores também apresentou falhas”.
E continua: “Num espaço de 48 horas a alteração do calendário que seria o último recurso, avançou, e, ultimamente, os pais foram acusados de ser imprudentes quando a única imprudência que cometeram foi a de confiar no calendário publicado pelo MECI”.
“Assim, e de acordo com as normas regimentais aplicáveis, os deputados da Iniciativa Liberal requerem ao senhor Ministro da Educação, Ciência e Inovação o envio de toda a documentação e informação relativa ao projeto de implementação da classificação digital dos exames nacionais”, elencando a documentação solicitando, assim como a identificação “de todas as entidades públicas e privadas envolvidas” e a “identificação “dos titulares dos cargos de direção política e técnica responsáveis pela coordenação do projeto e pela articulação entre as entidades envolvidas”.
De recordar que, na quarta-feira, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, adiantou que 65% dos exames nacionais, que já foram distribuídos pelos professores, já estão corrigidos – e, assim sendo, é “expectável” que as pautas sejam publicadas a 17 de julho.
“Há uma tranquilidade na correção dos exames”, começou por assegurar Fernando Alexandre, em entrevista à SIC Notícias, esta noite, elaborando: “Temos 93% das provas distribuídas pelos professores [e] 65% estão corrigidas”.

Exames nacionais? “Há tranquilidade. 65% das provas estão corrigidas”
O ministro da Educação, Fernando Alexandre, anunciou que 65% dos exames nacionais já foram corrigidos, garantindo que as pautas serão publicadas a 17 de julho.
Notícias ao Minuto | 23:52 – 08/07/2026



