O Departamento Federal de Investigação (Federal Bureau of Investigation, FBI na sigla em inglês) estará a investigar a Associação de Futebol Argentina (AFA) por alegadas transações milionárias nos Estados Unidos.
A informação é avançada esta quarta-feira pela publicação argentina La Nacion, que apurou estes dados junto de pelo menos duas fontes próximas da investigação. De acordo com o que é referido, está ainda a ser analisada a possibilidade de serem convocados antigos funcionários do atual presidente argentino, Javier Milei.
O que está em causa?
Explica a publicação argentina que tanto o FBI como o Departamento de Justiça dos EUA estão a recolher testemunhos sobre as transações feitas pela AFA, nomeadamente, para perceber se a movimentação de cerca de 300 milhões de dólares por parte da associação liderada por Claudio Tapia constitui crimes como lavagem de dinheiro ou fraude.
Umas das pessoas ouvidas terá sido o empresário Guillermo Tofoni, com quem as autoridades terão realizado uma reunião que durou cerca de três horas. O objetivo terá sido perceber qual a estrutura financeira usada pela AFA, especialmente, para administrar contratos comerciais a nível internacional. O encontro com Tofoni ainda parece estar longe de qualquer acusação, mas é visto pela imprensa internacional como o primeiro passo para identificar possível irregularidades. Contactado pelo jornal La Nacion, Tofoni não confirmou – nem desmentiu – que essa reunião tenha acontecido.
Note-se que a investigação estará a dar ‘passes’ largos numa altura em que a Argentina disputa os quartos de final do Mundial. Claudio Tapia, conhecido também por Chiqui, está a acompanhar a seleção nos Estados Unidos, tendo também assistido já a competições ao lado do presidente da FIFA, Gianni Infantino.
Note-se, no entanto, que Chiqui conseguiu uma autorização especial da justiça argentina para seguir viagem, já que também no sue país está a ser investigado por alegada má gestão de recursos tributários.
No caso estará também envolvida a TourProdEnter LLC, empresa do produtor Javier Faroni, que assumiu contratos com patrocinadores. Segundo documentação obtida pela publicação La Nacion, tanto Faroni como a sua esposa, Erica Gillette, movimentaram em 2025 e início deste ano grandes quantidades de dinheiro para os Estados Unidos. O casal não tem apenas uma conta bancária nos EUA, mas sim cinco: no Citibank, Synovus, Bank of America, JP Morgan e PNC Bank.
Há ainda a possibilidade de esta invetsigação chegar a ex-governantes próximos de Milei, já que estes tiveram acesso a informação confidencial sobre a AFA, tendo, nomeadamente, supervisionado algumas operações durante os últimos anos.
O caso está a ser investigado por Patrick Gushue, Christopher Ting e Michael Berger, especialistas norte-americanos em crime financeiro. Não há acusações formais até agora, estando, segundo a imprensa internacional, as entidades a tentar perceber se existem elementos suficientes para abrir um processo criminal. A investigação terá começado ainda em 2025.
Note-se ainda que o futebol argentino está ‘na mira’ não só fora de campo, como dentro, já que esta semana a vitória da equipa de Messi contra o Egito está a ser contestada pela equipa africana. Em causa está, nomeadamente, o “uso inadequado do VAR”.
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