“Os Estados Unidos saúdam a visita do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) a Aung San Suu Kyi”, publicou o Gabinete de Assuntos para o Leste Asiático e Pacífico do Departamento de Estado norte-americano na rede social Facebook.
O gabinete norte-americano disse esperar que este encontro “marque o início do acesso humanitário regular” à ex-conselheira de Estado birmanesa e “abra caminho” para um acesso semelhante “a todos os presos políticos”.
O Governo militar birmanês divulgou na segunda-feira quatro fotografias de um encontro entre o representante do CICV em Myanmar, Arnaud de Baecque, e a ativista, que está detida desde o golpe militar em fevereiro de 2021.
A Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, na sigla em inglês), atualmente presidida pelas Filipinas, também saudou a reunião, classificando-a como “um passo positivo rumo a um diálogo nacional inclusivo e à reconciliação entre todas as partes”.
A ASEAN exigiu ainda “a libertação completa e incondicional” da política e “um maior acesso às pessoas detidas” pelo regime militar.
As imagens – recebidas com entusiasmo por governos, organizações não-governamentais (ONG) e pela família de Suu Kyi – surgem após meses de incerteza em relação à saúde e ao paradeiro da ativista de 81 anos.
As fotografias representam também a primeira prova de vida de Suu Kyi desde 30 de abril, quando o Governo militar divulgou a sua primeira fotografia em mais de três anos para anunciar a sua transferência para prisão domiciliária.
Desde então, o seu filho mais novo, Kim Aris, intensificou uma campanha global exigindo provas credíveis de vida da sua mãe, com quem não fala desde 31 de janeiro de 2021, um dia antes do golpe militar que pôs fim a uma década de transição democrática.
A libertação ocorre também num momento crucial para os militares birmaneses, que procuram obter legitimidade internacional, meses após a formalização da dissolução da junta militar com a tomada de posse da líder do golpe, Min Aung Hlaing, como Presidente.
De acordo com dados atuais da Associação para Assistência a Presos Políticos (AAPP) em Myanmar, ainda há 14.644 presos políticos e 8.237 pessoas foram mortas pelo regime militar desde o golpe de Estado.
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