Em 12 de agosto, um novo eclipse solar voltará a atrair telescópios e olhares para o céu, um fenómeno que, desde a segunda metade do século XIX, fomentou uma cultura de observação à escala internacional, com projetos transnacionais e cooperativos em que os aspetos a estudar eram previamente definidos.
Foi durante a Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial, com a Espanha numa posição “desconfortável”, que a astronomia se tornou um instrumento de “diplomacia científica”, um canal para manter contactos internacionais quando a via política estava fechada, salientou Ruiz-Castell num comunicado da Universidade de Valência divulgado na sexta-feira pela agência Efe.
Em 1860, uma expedição científica italiana liderada por Angelo Secchi observou o eclipse no Deserto de las Palmas, em Castellón, e tirou fotografias de grande influência da coroa solar, tendo sido o fotógrafo José Montserrat i Riutort, professor de química na Universidade de Valência.
Durante o eclipse de 1868, foi descoberta pela primeira vez na Terra uma linha espetral até então desconhecida: a linha do hélio.
Já no século XX, os eclipses de 1900 e 1905 levaram Camille Flammarion, um dos grandes divulgadores da astronomia, e Pierre Jules Janssen, descobridor do hélio em 1868, a Espanha.
Segundo Ruiz-Castell, estes eventos marcaram “um ponto de viragem para o desenvolvimento da disciplina na Espanha do início do século XX: novas técnicas, maior apoio institucional e a criação de novos observatórios astronómicos”.
Esta observação inaugurou “um período que atuou como catalisador para a mudança”, e o mesmo ocorreu com os eclipses de 1952, 1954 e 1959, que foram utilizados como ferramentas para mudar a atitude da comunidade internacional em relação a Espanha.
Este aumento de interesse também deixou a sua marca na região valenciana através dos irmãos Tarazona.
Antonio calculou o mapa da totalidade do eclipse de 1905, e o seu irmão mais novo, Ignacio, acompanhou-o na expedição a Plasencia em 1900.
“As ligações que Ignacio Tarazona fez durante o eclipse de 1900 foram inestimáveis para o estabelecimento dos observatórios nas universidades de Barcelona e Valência”, explicou.
O primeiro grande acontecimento do período pós-guerra ocorreu em 1952, quando a faixa de totalidade de um eclipse solar atravessou a Guiné Espanhola. Isto foi percebido como “uma obrigação nacional mobilizar a comunidade espanhola local e enviar astrónomos para observar e demonstrar à comunidade científica que estes territórios poderiam ser utilizados”, apontou Ruiz-Castell.
O marco seguinte surgiu com a exportação de conhecimento. O astrónomo José María Torroja desenvolveu o seu próprio método para determinar com precisão os contactos de eclipses, que testou em 1952 e aprimorou em 1954 durante uma expedição à Ilha de Sydkoster, na Suécia, obtendo reconhecimento na literatura científica internacional.
O terceiro grande acontecimento ocorreu em 1959, com uma mobilização muito maior e o apoio explícito da União Astronómica Internacional, acontecimento que culminou com a criação do Observatório Astronómico do Teide.
Leia Também: Risco de incêndio cancela atividades onde é possível ver eclipse total



