De acordo com o relatório, “284 imóveis situados nos Estados Unidos, com um valor total de cerca de 271 milhões de dólares, ligados a 61 altos responsáveis nigerianos, atuais ou antigos”, foram adquiridos a partir de 1991, e “entre as 61 pessoas analisadas, 39 já foram publicamente acusadas, indiciadas ou condenadas por corrupção”.
Esta ONG, especializada na proteção de denunciantes no continente africano e criada pelo advogado francês William Bourdon, acrescenta que os altos responsáveis nigerianos envolvidos adquiriram esses imóveis nos Estados Unidos em seu próprio nome ou em nome dos seus cônjuges, sem recorrer a empresas de fachada ou a esquemas financeiros complexos.
Em quatro em cada cinco casos, os bens foram adquiridos “sem financiamento aparente”, ou seja, a dinheiro, o que “suscita suspeitas de branqueamento de capitais”, lê-se ainda no relatório citado pela agência francesa de notícias, a France-Presse (AFP).
A Nigéria é o segundo parceiro comercial africano dos Estados Unidos e os nigerianos constituem a maior diáspora africana nesse país.
Este país, o mais populoso e com a maior economia da África subsaariana, enfrenta inúmeros desafios de segurança, entre os quais grupos jihadistas ativos há dezassete anos e gangues armados.
“A dimensão das despesas dedicadas à defesa e à segurança criou oportunidades persistentes para a adjudicação de contratos opacos”, observa a ONG, concluindo que “a luta contra o Boko Haram continua a enriquecer as elites militares”.
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