O país já acumulava uma severa contração, de mais de 15% desde 2020, pelo que os dados do CEEC relativos ao segundo semestre de 2025 consolidam uma das crises estruturais mais prolongadas na história recente da nação insular.
Organismos internacionais, como a Comissão Económica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), indicam que em 2026 a ilha registará a pior contração económica da região, com uma queda projetada de 10,3% no seu produto interno bruto (PIB).
De acordo com o relatório do centro de investigação cubano ligado à Universidade de Havana, o panorama daquele Estado “pode descrever-se como de crise múltipla, desequilíbrios macro e alta inflação”.
A isso soma-se, “a perda substancial da capacidade de resposta interna, emigração e comportamento demográfico negativo, assim como maior dependência do financiamento externo, crescimento da desigualdade e da pobreza”.
O texto salienta que o “caminho para o desenvolvimento está praticamente adiado” em Cuba, marcado, entre outros fatores, por um “défice de geração elétrica”, situação agravada pelo atual bloqueio petrolífero de Washington e pela falta de investimentos para renovar o sistema elétrico nacional.
De acordo com o relatório, a diminuição do nível de atividade em 2025 foi resultado de uma combinação de fatores: por um lado, a queda nas receitas externas pelas exportações de bens e serviços, a “redução interanual significativa” do turismo e as restrições energéticas, com uma contração de 13,7% em 2025 comparado com 2024.
Por outro lado, indica “fatores de política interna”, como “a não criação das reformas produtivas pendentes”, entre outros.
O relatório constata o avanço do setor privado e destaca que este passou a contribuir com cerca de 29% das receitas fiscais do Estado, tornando-se um amortecedor chave para o abastecimento de bens de consumo, embora com preços inacessíveis para a maioria da população.
Apesar de o texto não incluir as 176 reformas económicas adotadas em junho pelo Governo cubano para descentralizar e liberalizar a economia, os especialistas afirmam que “o principal risco” neste sentido é “uma lacuna entre o seu desenho e implementação”.
Sem uma mudança profunda e sem financiamento fresco, o relatório alerta para 2026, ano em que “a incerteza marca as perspetivas económicas” e “o crescimento situar-se-ia, mais um ano, abaixo da meta oficial (1%)”.
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