A situação em Ceuta é “consequência diretíssima do abandono de um governo que não governa nada” e é o resultado de “não ter política migratória, de oferecer documentos a todos e de regularizar de um momento para o outro mais de um milhão de imigrantes que entraram de forma ilegal”, disse hoje o secretário-geral do PP, Miguel Tellado, numa conferência de imprensa em Madrid.
O dirigente do PP referia-se ao processo extraordinário de regularização de estrangeiros que vivem e trabalham em Espanha lançado este ano pelo Governo.
O PP considerou também que o Governo não está a responder com todos os meios necessários em Ceuta, considerando que é um problema de soberania nacional e integridade territorial.
Para Tellado, a crise que se vive em Ceuta deve-se ao “incumprimento das funções” do Governo de Pedro Sánchez, que, considerou, não protege as fronteiras do país e negligencia as forças e corpos de segurança do Estado, além de não ter respondido de forma ágil aos alertas das autoridades da cidade nos dias anteriores, que já falavam num aumento súbito da pressão na fronteira do enclave espanhol com Marrocos.
Também o líder do Vox, Santiago Abascal, considerou que as pessoas que cruzaram a fronteira em Ceuta foram “chamadas pelo Governo” de Sánchez, por causa das políticas que tem adotado.
Os dois partidos pediram que o primeiro-ministro, o ministro da Administração Interna e a ministra da Defesa vão ao parlamento explicar o que aconteceu em Ceuta e a situação nas fronteiras espanholas.
O Governo espanhol responsabilizou as máfias que traficam com seres humanos pela crise em Ceuta.
Numa declaração hoje na cidade, o primeiro-ministro culpou as “máfias que traficam com seres humanos” e “enganam muitos jovens” com “uma leitura interessada” de uma sentença recente do Tribunal Supremo de Espanha sobre repatriamentos, que “correu como a pólvora” nos últimos dias em Marrocos e “produziu uma avalanche com as características e dimensão” que se viu na fronteira de Ceuta na quinta-feira.
A sentença, do início deste mês, estabeleceu que pessoas chegadas ao país por mar, de forma ilegal, não podem ser devolvidas imediatamente às autoridades de outro Estado.
Essa entrega a autoridades de outro país só se pode aplicar a quem entra em Espanha “superando os elementos de contenção fronteiriça estabelecidos, como vedações”, decidiu o tribunal.
Sánchez garantiu que o Governo espanhol mobilizou meios e recursos para Ceuta, incluindo militares, para repor a normalidade e a segurança na cidade.
Segundo o Governo espanhol, 25.000 pessoas que entraram ilegalmente na cidade na quinta-feira e na madrugada de hoje já voltaram a Marrocos por iniciativa própria ao longo da manhã, estando a sair “a um ritmo de 150 pessoas por minuto”.
O executivo espanhol estima em 50.000 o número de pessoas que entrou em Ceuta ilegalmente nas últimas 24 horas, enquanto o governo autónomo disse que podem ter sido 60.000.
O primeiro-ministro disse que tem havido boa cooperação com Marrocos nesta crise, agradecendo às autoridades de Rabat, e afirmou que vão ser acelerados os processos de repatriamento.
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