O delegado do governo em Ceuta, Miguel Ángel Pérez Triano, apresentará nas próximas horas a demissão do seu cargo, avança o ABC, citando fontes internas do seu partido.
A saída do representante do Executivo destacado para a cidade autónoma será oficializada ao longo desta segunda-feira, 28 de setembro, dia em que está prevista uma conferência de imprensa para comunicar a sua saída.
Do Palácio da Moncloa afirmam que a desistência ocorreu por iniciativa própria “há alguns dias” e invocam razões pessoais para justificar a saída. “É uma decisão humana e pessoal, após muitas semanas de trabalho intenso”, referem as referidas fontes governamentais sobre os motivos da renúncia.
Recorde-se porém que a sua gestão durante a crise migratória de Ceuta foi amplamente questionada.
Segundo o ABC, a sua demissão deverá ser aprovada em Conselho de Ministros na terça-feira.
Crise Migratória de Ceuta
Cerca de 72.000 pessoas entraram em Ceuta, em julho, de forma irregular em 24 horas.
Embora a maioria das pessoas que entraram ilegalmente naquelas horas tenha regressado a Marrocos, vários milhares permanecem na cidade espanhola.
Segundo os dados mais recentes do Governo espanhol, há cerca de 6.000 adultos e 2.000 menores referenciados e registados em centros de acolhimento, com vista à abertura de processos de repatriamento ou concessão de asilo, mas entre 3.000 a 3.500 pessoas continuam nas ruas, sem haver para já capacidade em Ceuta para alojamento.
A crise resultou também em pelo menos 140 mortes, segundo organizações da sociedade civil.
Os enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla têm as duas únicas fronteiras terrestres da União Europeia com o continente africano.
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