“Na Beneficência, desde que aconteceram os sismos, as damas têm estado ativas, a preparar refeições que são distribuídas a famílias, aos hospitais e aos voluntários que estão em labores de salvamento”, explicou a presidente da Beneficência à Agência Lusa.
Lucecita Fernandes precisou que acabavam de preparar “arepas” (uma espécie de panqueca de farinha de milho frito ou cozido que serve de acompanhamento) para 250 refeições que vão ser distribuídas.
Em jeito de desabafo, disse à Lusa que, apesar dos esforços, a dimensão da tragédia é tão grande que as limitações estão a frustrar as damas e a causar uma sensação de impotência na resposta aos compatriotas.
“Há alguma frustração porque queremos fazer mais e não conseguimos. Reportámos os casos e fazemos a ligação com as autoridades, mas quando as pessoas querem saber de novidades, quando querem saber se [as autoridades] responderam alguma coisa, não temos mais nada”, disse.
Lucecita Fernandes explicou ainda que está surpreendida positivamente pela resposta solidária da população neste momento tão difícil.
“Por um lado, a dor que estamos a viver neste momento é muito grande e, por outro, vemos todas as famílias a doarem aquilo que podem a quem precisa. Acho que é o mais humano que estamos a viver”, disse.
Frisou ainda que na Beneficência “gostavam de poder fazer muito mais, mas estão limitadas”.
“Estamos a preparar também cabazes de alimentos e somos também centro de recolha de roupas, medicamentos e materiais de primeiros socorros, água potável, alimentos não perecíveis e produtos de limpeza que encaminhamos para quem precisa”, disse.
Lucecita Fernandes sublinhou “a extraordinária solidariedade da nossa gente”, dos portugueses.
“É emocionante ver famílias inteiras a trazer alimentos, água, medicamentos e outros bens, a oferecer não apenas ajuda material, mas também esperança e acompanhamento. Esse espírito solidário lembra-nos que unidos somos mais fortes”, disse.
Insistiu em agradecer a solidariedade de todos e apelou a que mantenham a ajuda aos que hoje enfrentam esta difícil realidade.
A presidente da Beneficência congratulou-se com a chegada à Venezuela de uma equipa de salvamento enviada por Portugal, cuja experiência e preparação “representam uma valiosa contribuição em horas tão difíceis”.
“A sua presença é um gesto de solidariedade que reforça os laços que unem Portugal e a Venezuela”, disse, recordando que muitos compatriotas estão à espera de notícias de familiares e amigos.
Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos 1.450 mortos e 3.150 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.
Entre os mortos, há pelo menos 53 portugueses e lusodescendentes, e outros 83 estão desaparecidos ou incontactáveis.
Segundo a ONU, mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas.
Vários países, incluindo Portugal e outros estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.
A base de operações da missão portuguesa de resposta aos sismos está sediada em Catia la Mar, em La Guaira, uma zona de grande concentração de portugueses e lusodescendentes.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo e foram seguidos por mais de 20 réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Dezenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na capital Caracas e na região de La Guaira, uma das mais afetadas.
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