Keir Starmer anunciou a demissão do cargo de primeiro-ministro esta segunda-feira, garantindo que irá levar a cabo uma “transição pacífica”, prestando apoio a quem lhe suceder. A sucessão vai acontecer até ao final do verão, mas já há quem avance para a corrida e quem se retire dela – numa altura em que surgem várias reações.
Uma das reações que demorou pouco tempo a aparecer foi a de Andy Burnham, trabalhista que foi eleito deputado ao parlamento britânico na semana passada. Logo aí, os rumores de que este se preparava para concorrer ao cargo começaram a surgir – e hoje confirmaram-se.
Não será a primeira vez que Burnham avança para a corrida à liderança do Partido Trabalhista, com o cargo de primeiro-ministro na mira, mas agora a sua pretensão parece mais forte – outro dos possíveis nomes na calha era o antigo ministro da Saúde Wes Streeting, que já se retirou da corrida para apoiar Burnham.
Desta feita, Burnham não só agradeceu o trabalho realizado por Starmer, como também referiu que esta decisão “marca o início de uma transição” e que o país precisa de “estabilidade”. O trabalhista, crítico de Starmer, anunciou que entrava na corrida para lhe suceder.
Oposição quer “ousadia” e fala em britânicos “desiludidos”
A líder do Partido Conservador britânico, Kemi Badenoch, afirmou que “o problema [do Reino Unido] não é apenas Starmer”, mas o Partido Trabalhista.
“Os deputados trabalhistas só querem impostos mais altos para distribuir mais subsídios”, defendeu Badenoch. Nas redes sociais, a líder conservadora criticou já a possível sucessão de Andy Burnham, dizendo que enquanto Starmer está numa tour de despedida, “Andy Burnham quer umas férias de verão” e que “nenhum está a pensar na segurança interna”.
O líder dos Liberais Democratas, Ed Davey, afirmou que os britânicos estão “fartos de ser desiludidos por um carrossel interminável de primeiros-ministros, enquanto nada muda”.
Davey quer atacar o custo de vida elevado, um “novo acordo ousado com a Europa, reformar os serviços sociais para pôr fim à crise do sistema nacional de saúde e devolver o poder ao povo”.
O líder dos Verdes, Zack Polanski, entende que o Reino Unido “precisa de uma mudança de rumo ousada” e que “Starmer perdeu a confiança do país”.
“Os interesses estabelecidos que estão a travar este país têm de ser confrontados, através de impostos sobre a riqueza dos super-ricos, da nacionalização dos serviços públicos, do controlo das rendas e da construção de habitação a preços acessíveis, bem como do fim do apoio ao genocídio perpetrado por Israel em Gaza”, vincou.
Já o líder do Partido Reformista, Nigel Farage, exigiu a realização de eleições legislativas.
“O Reform exige eleições e estamos prontos para promover uma mudança radical. Se o Partido Trabalhista pensa que pode enfiar mais um político profissional no número 10 [de Downing Street], está enganado”, escreveu nas redes sociais.
Starmer diz adeus, mas “segurança da Europa está mais forte”
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, agradeceu a Starmer pela liderança na defesa da segurança europeia e ucraniana nos últimos dois anos no poder. “A segurança da Europa e da Ucrânia está mais forte graças a si. Obrigado, caro Keir”, escreveu.
“Muitos líderes levam anos a tornarem-se os estadistas que o Keir se tornou em apenas dois anos”, considerou.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, recorreu também às redes sociais para para apontar que sob a liderança de Starmer “as relações entre a União Europeia [UE] e o Reino Unido viraram a página para um novo capítulo”.
“A UE está comprometida a continuar a cooperar neste espírito. Foi um prazer trabalhar consigo, tanto como colega como como amigo”, apontou.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, agradeceu todo o apoio dado por Starmer à Ucrânia, assim como como todas as decisões que ajudaram a a que “a nossa Europa e a proteção da nossa vida ficassem mais fortalecidas”.
“O Reino Unido tem sido, é e vai continuar a estar entre os líderes mundiais. Na Ucrânia, valorizamos muito o Reino Unido”, escreveu na rede social X, agradecendo também “o contacto permanente, o compromisso” e a ajuda com “aquilo que é realmente necessário”.

Starmer emocionou-se na demissão: O vídeo, a voz trémula… e a família
Keir Starmer demitiu-se da liderança do Partido Trabalhista, abandonando assim também o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido. O político acabou por emocionar-se quando falava da família, a quem vai agora dedicar-se.
Notícias ao Minuto | 11:22 – 22/06/2026



