O episódio, a poucos dias da cimeira entre os Presidentes da China, Xi Jinping, e dos Estados Unidos, Donald Trump, agendada para o final deste mês, foi fortemente criticado pelo Ministério do Comércio chinês.
“Ao declarar abertamente que as empresas chinesas são alvos legítimos de espionagem, o lado norte-americano rasgou o véu por trás do qual os serviços de informações roubam segredos, expondo a lógica hegemónica semelhante à de banditismo”, avançou o Ministério em comunicado.
“Os avanços tecnológicos da China” na inteligência artificial (IA), nos semicondutores e biotecnologia “não devem, de forma alguma, ser alvos” de espionagem, referiu.
Na mesma nota, o Ministério denunciou uma “mentalidade de Guerra Fria”, a China acusou ainda os Estados Unidos de “minar deliberadamente a concorrência leal” e de “desrespeitar abertamente as regras do comércio internacional”, tendo prometido tomar “as medidas necessárias” para defender os interesses chineses.
A reação da China visa responder a declarações feitas na terça-feira pelo vice-diretor da CIA, Michael Ellis, que avançou, numa conferência sobre cibersegurança, que os Estados Unidos estavam a conduzir extensas operações de espionagem económica ao gigante asiático.
Na altura, Michael Ellis sublinhou a atual “interdependência económica” entre os dois países, que dá à China uma potencial influência sobre os Estados Unidos e que, considerou, devia levar a CIA a “responder de forma diferente”.
“Ainda temos de lidar com as questões políticas e militares tradicionais. Mas também precisamos de ser capazes de recolher informações relevantes para a dimensão de segurança económica desta competição”, referiu.
Isto “requer saber como obter essas informações e como analisá-las”, sublinhou, apontando os setores cruciais dos semicondutores e da biotecnologia como alvos dos serviços de informações.
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