O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, acusou o partido liderado por André Ventura de andar “em ziguezague” no que diz respeito à proposta da lei laboral apresentada pelo Governo, apontando que a contrapartida da diminuição da idade da reforma “significa literalmente uma traição às mais jovens gerações”.
“André Ventura apresentou uma proposta que significa literalmente uma traição às mais jovens gerações. Se fôssemos aplicar a proposta, significava que estávamos a comprometer as reformas e as pensões dos mais jovens. Reduzir a idade da reforma significa trair as novas gerações. Foi isso que ele procurou fazer. Mas, entretanto, como Pedro Passos Coelho veio dizer que isso era ridículo e que era uma má proposta, mais uma vez apareceu com outras propostas para distrair as pessoas daquilo que ele verdadeiramente tinha proposto. Fundamentalmente, o que está a tentar é fugir àquilo que tinha dito anteriormente”, disse o líder dos socialistas, em declarações à imprensa, esta sexta-feira.
Na ótica de José Luís Carneiro, o presidente do Chega “ora fala da Constituição, ora fala da idade da reforma, ora fala dos temas mais alguns, muitas vezes para esconder os erros do Governo”.
Aliás, o parlamentar indicou que, ao contrário do PS, “o Chega tem andado a fazer um flick flack e tem andando em ziguezague”, tendo em conta que André Ventura “começou por dizer na primeira hora que ia aprovar essas propostas, que eram altamente lesivas para o conjunto da sociedade”.
“Só que, como acontece sempre que há oportunismo político, quando viu a manifestação geral da CGTP com a UGT, alterou a sua posição. Ora, nós mantemo-nos na mesma posição: na posição responsável, na posição de uma alternativa política ao Governo, para dizer aquilo que está mal e apresentarmos propostas em relação àquilo que deve ser feito para garantir a competitividade e a produtividade da economia portuguesa, garantir melhores salários e a fixação dos mais jovens que têm fugido do país por falta de uma economia capaz de responder às mais qualificadas gerações”, concretizou.
O socialista recordou ter tomado uma posição sobre o pacote laboral em agosto de 2025, tendo considerado que “ia contra os interesses dos mais dos mais jovens”. “Se perguntarmos aos mais jovens o que é que esperam da legislação laboral, da economia, é empregos com estabilidade, porque é a estabilidade que permite que possam contrair empréstimos para uma habitação”, ou até para arrendar uma casa.
Além disso, o PS mostrou-se “contra a proposta porque ela punha em causa a compatibilidade da vida familiar com a vida profissional e com a vida pessoal”, e por ser “particularmente dura para os mais vulneráveis”. “Por exemplo, deixava de penalizar ou queria reduzir a penalização para quem não declara trabalho informal. Ora, trabalho informal é economia informal, é economia fora dos impostos”, explanou.
E frisou: “O PS é a verdadeira alternativa ao Governo da AD e está aqui para servir o país. Agora, quem não esteve bem foi o primeiro-ministro e a ministra [do Trabalho]. Estamos nos níveis máximos de emprego no nosso país, temos uma economia que tem crescido até mais do que a média da economia europeia, […] com a legislação laboral que foi aprovada na AR em 2023. Não foi há um século, foi há três anos. E passou na AR com a abstenção do PSD.”
De notar que a negociação da reforma laboral regressou ontem à Concertação Social, numa derradeira tentativa do Executivo de Luís Montenegro para alcançar um acordo, o que não aconteceu.
A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, denunciou que a UGT foi “absolutamente intransigente”, mas assinalou que levaria “esta decisão final” ao primeiro-ministro e que o Governo avaliaria “muito rapidamente o passo seguinte, que será a transformação em proposta de lei para que o processo siga” para o Parlamento.
Já o secretário-geral da UGT, Mário Mourão, deu conta de que os parceiros sociais não discutiram qualquer nova proposta na reunião, razão pela qual a central reafirmou a sua oposição à última versão do Governo.
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