“Infelizmente, os ataques contra a vida ‘queer’ têm aumentado significativamente há anos”, disse à Lusa Kerstin Thost, porta-voz da associação LSVD+, sublinhando que muitos membros da comunidade já se sentem inseguros no dia-a-dia.
O atentado “assustou e abalou” a comunidade enquanto expressão extrema dessa violência, salientou.
“Muitos têm ainda mais medo de participar nos CSD [Christopher Street Day]. Outros dizem: agora mais do que nunca, não nos deixaremos intimidar”, realçou, referindo-se à parada do orgulho ‘gay’ da capital alemã.
O ataque ocorreu no sábado passado, quando um veículo atingiu pessoas no Tiergarten, em Berlim, nas imediações das celebrações do CSD, causando um morto e 29 feridos.
O suspeito, um alemão de 21 anos, foi posteriormente morto pela polícia. As autoridades estão a investigar o caso como um atentado de motivação islamista.
Na terça-feira, o Ministério Público Federal disse ter sido encontrado no telemóvel do suspeito um vídeo em que uma pessoa mascarada, que as autoridades presumem ser o atacante, declara lealdade ao Estado Islâmico. Foram também encontrados materiais relacionados com o grupo extremista na sua casa.
O suspeito era conhecido pelos serviços de segurança e tinha sido condenado em maio por preparar um ato grave de violência contra o Estado.
Para a LSVD+, a resposta não deve limitar-se às declarações de solidariedade.
“Após as manifestações de solidariedade têm agora de surgir consequências políticas concretas que incluam a comunidade ‘queer’ na sua diversidade”, sustentou Thost.
A associação apresentou dez medidas, entre as quais a aplicação das recomendações da Conferência dos Ministros do Interior para combater a violência homofóbica e transfóbica, o financiamento de projetos de prevenção e estruturas de apoio à comunidade e a inclusão explícita das pessoas LGBT+ no artigo 3.º da Constituição alemã.
O ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt, pediu aos 16 estados alemães para reverem os dispositivos de segurança para grandes eventos, incluindo futuras celebrações da parada de orgulho ‘gay’, alertando também para o risco de ataques de imitação.
A LSVD+ defendeu, ainda assim, que uma maior segurança não deve transformar os CSD em espaços fechados.
“Os CSD têm de continuar abertos a todos os que querem manifestar-se pelos direitos das pessoas ‘queer'”, defendeu Thost, pedindo uma estratégia de segurança desenvolvida conjuntamente pelas autoridades, organizadores e comunidade ‘queer’.
A organização alertou também para a instrumentalização política do atentado, sobretudo por forças da direita e da extrema-direita.
“Infelizmente, vemos muitas generalizações e muitas instrumentalizações, sobretudo racistas”, criticou Thost, considerando que alguns atores políticos aproveitaram o ataque para defender deportações e o encerramento de fronteiras, sem ouvir a comunidade LGBT+ afetada.
Contactada pela Lusa, a Berliner CSD e V., responsável pela organização da marcha, disse que não pretende pronunciar-se neste momento.
“Devido às discussões atualmente em curso, não queremos pronunciar-nos. Cabe à política tirar as conclusões corretas”, respondeu o responsável de imprensa Stefan Bergmann.
Para a LSVD+, a resposta da comunidade deve ser de resistência e visibilidade.
“Não nos deixaremos abater nem voltar a ser empurrados para a invisibilidade. Estamos mais unidos e determinados do que nunca”, concluiu Thost, deixando uma mensagem de solidariedade às vítimas e familiares.

Autor do atentado de Berlim jurou lealdade ao Estado Islâmico num vídeo
O autor do atentado contra a Marcha do Orgulho LGBTQIA+ de Berlim jurou lealdade ao grupo Estado Islâmico (EI) num vídeo gravado no sábado, dia em que ocorreu o ataque, noticiou hoje o jornal Bild.
Lusa | 13:51 – 28/07/2026



