O ex-colega de quarto de Tyler Robinson, acusado de assassinar o ativista conservador Charlie Kirk, durante um evento na Universidade Utah, em setembro do ano passado, afirmou que Robinson lhe disse que “gostaria de não o ter feito”.
Tyler Robinson, recorde-se, é acusado de homicídio qualificado.
A promotoria alega que Robinson confessou, através de um bilhete deixado ao seu antigo colega de quarto, Lance Twiggs, que “teve a oportunidade de eliminar Charlie Kirk” e que iria “aproveitá-la”.
Além do bilhete, o acusado enviou também uma mensagem de texto onde dizia que tinha escolhido Kirk como alvo porque já “não aguentava mais o ódio dele”, de acordo com a CBS News.
Na quinta-feira, Lance Twiggs foi ouvido pelo promotor e adiantou ter visto Robinson no dia a seguir ao tiroteio, mas afirmou que, até então, o colega de quarto nunca tinha falado de Charlie Kirk. Referiu ainda que quando os dois conversavam sobre política, normalmente, o tema concentrava-se mais no presidente norte-americano, Donald Trump, e em coisas da atualidade.
Twiggs adiantou que, no dia 12 de setembro, um dia depois do tiroteio, viu Robinson a “andar muito” pelo apartamento e que lhe perguntou que “se o que havia dito na noite anterior era verdade”.
Robinson respondeu que “sim” e terá começado a chorar, dizendo que se arrependia do sucedido. Continuou a andar de um lado para o outro e “a fazer coisas para se manter ocupado ou distraído”.
Lance Twiggs afirmou que Robinson lhe confessou que iria entregar-se e, por isso, decidiu sair do apartamento porque não queria lá estar “independentemente do que acontecesse”.
Tyler Robinson entregou-se às autoridades mais tarde nesse dia.
No dia 12 de setembro, Lance Twiggs falou com as autoridades e, novamente, no dia 20 de abril, tendo recebido imunidade em troca de informações que pudessem ajudar. Ora, desta forma, nada do que Twiggs disser pode ser usado contra ele num possível processo criminal.
Os advogados de Robinson tentaram impedir que o testemunho de Lance Twiggs fosse divulgado publicamente, justificando que os promotores o caracterizam como uma confissão e, por isso, Robinson poderá ser prejudicado no julgamento.
Tyler Robinson foi ouvido em tribunal esta semana
Excertos dos vídeos mostrados na audiência foram também partilhados nas redes sociais, estando também a ser analisados nesta fase. Em causa estão imagens que mostram Tyler Robinson a circular no campus da universidade do Utah onde Kirk foi baleado mortalmente. De acordo com a CBS News, as imagens dão conta de que Robinson chegou ao local cerca de 4h antes da morte do ativista conservador, que foi atingido quando discursava para uma plateia.
Outras imagens mostraram ainda em tribunal aquele que seria Robinson a descer do telhado, trazendo consigo um objeto não detalhado. Esse foi pelo menos um dos momentos em que a esposa da vítima, Erika Kirk, se emocionou. “Cada procedimento em tribunal serve como uma lembrança dolorosa da sua morte e da perda que deixou impacto nas nossas vidas e nas vidas dos seus filhos”, lê-se numa nota emitida pelos pais de Kirk, Kathryn e Robert Kirk.
Quem era Charlie Kirk?
Charlie Kirk, um conhecido ativista ultraconservador norte-americano, morreu, no dia 10 de setembro, após ser baleado num evento na Utah Valley University, nos Estados Unidos
Charles James Kirk, conhecido como Charlie Kirk, nasceu a 14 de outubro de 1993, filho de um arquiteto e de uma conselheira de saúde mental. Cresceu nos subúrbios de Chicago e, aos 31 anos, era um influente ativista político conservador, tendo feito parte das campanhas eleitorais de Donald Trump.
O ativista deu os primeiros passos na política ainda na escola e, em 2012, quando tinha 18 anos, fundou a Turning Point USA (TPUSA), uma organização ultraconservadora que tem como objetivo promover políticas nos campus de escolas secundárias e universidades.

Quem era Charlie Kirk, o aliado de Trump morto a tiro num evento?
Charlie Kirk morreu aos 31 anos após ser baleado durante um evento no Utah. O presidente norte-americano descreveu-o como um jovem “amado e admirado por todos”, mas as opiniões dividem-se devido às suas posições controversas.
Márcia Guímaro Rodrigues | 00:09 – 11/09/2025



