Com 95 anos, Mateus de Brito lembrou que o PSD “foi um partido que nasceu sem bases nenhumas”, mas o trabalho feito nos primeiros anos permitiu montar uma estrutura que se transformaria numa das principais formações políticas de Governo em Portugal.
Mateus de Brito, que está representado na exposição que comemora os 50 anos da Festa do Pontal, à entrada do recinto algarvio, no calçadão de Quarteira, numa fotografia em que aparece a falar aos participantes da festa, em 1978, considerou que o PSD “foi de tal maneira inteligentemente organizado, que hoje é um dos partidos de Governo”.
“E é, sobretudo, o partido dos melhores Governos que tivemos”, afirmou, dando como exemplo os 10 anos de mandato de Aníbal Cavaco Silva como primeiro-ministro, nos quais se “fez cerca de 30%” do que se realizou nos 50 anos de democracia.
O antigo dirigente do partido deu os exemplos de infraestruturas “como o Alqueva, as autoestradas, o Centro Cultural de Belém”, que classificou como “as maiores obras feitas”nos últimos 50 anos, e “todas feitas no tempo do Cavaco Silva”, observou.
Natural de São Brás de Alportel, Mateus de Brito contou que tinha uma atividade como engenheiro civil, com escritórios em Londres, e uma vida profissional “intensíssima”, mas inscreveu-se no PSD em Loulé e um dia, no regresso do estrangeiro, foi informado que tinha sido eleito como o primeiro presidente da comissão política distrital de Faro do partido.
“Tivemos reunião e criei a primeira comissão política distrital, deixei os negócios. Depois o Sá Carneiro convidou-me para almoçar e para pertencer à comissão politica nacional e ao Governo sombra”, acrescentou.
Passados 50 anos, Mateus de Brito mostra-se “satisfeito” pela evolução do partido e continua a depositar a sua “esperança no PSD”.
“Agora é preciso que os portugueses saibam fazer politica, para fazer a Europa evoluir. Quem está no Governo vai fazendo o que tem a fazer, agora começarem a criticar a possibilidade de fazer o programa, não”, disse, argumentando que quem ganha eleições deve governar e depois ser julgado no final do mandato.
A imprensa mereceu críticas do ex-dirigente do PSD algarvio, assim como o Chega, partido que considera ser “muito mau” para a democracia.
“Eles dizem que as coisas estão mal, muitas vezes têm razão, mas contribuíram exatamente para isso, procuram arranjar as maiores embrulhadas para o Governo ficar atrapalhado”, lamentou, antes de entrar no recinto para participar, um ano mais, na festa de verão dos social-democratas no Algarve.
A Festa do Pontal assinala 50 anos e realiza-se hoje em Quarteira, estando ainda previstos discursos do presidente do partido, Luís Montenegro, e do presidente do PSD do Algarve, Cristóvão Norte.
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