“Conseguimos juntar 117 empresas, cerca de 450 viaturas na estrada. Percorremos a distância que tínhamos para percorrer, cerca de 150 quilómetros, mas, mais do que isso, ao longo desta semana demos a conhecer um setor que o senhor ministro das Infraestruturas e Habitação disse hoje que estava esquecido. E isso é uma vitória, a primeira vitória”, disse Miguel Machado Mendes, advogado representante dos promotores da iniciativa.
A marcha lenta a exigir respostas concretas face ao aumento dos combustíveis chegou ao nó de Coimbra Sul da Autoestrada 1 (A1) às 12:30, depois de ter começado, às 07:40, na entrada de Lordelo da A42, seguindo rumo à A41, no sentido norte-sul, e depois pela A1.
À chegada à Coimbra, Miguel Machado Mendes notou ainda como segunda vitória desta marcha o facto de se falar de “homens e mulheres que não têm medo do trabalho” e que não querem estar afastados das decisões que afetam as suas vidas.
“Não aceitamos o fatalismo de não participarmos nas decisões que têm impacto nas nossas vidas. É hora de deixarmos de ter os braços caídos. É hora de deixarmos de estar resignados e é hora de lutarmos. E foram essas reivindicações que nos trouxeram à rua hoje”, acrescentou.
Miguel Machado Mendes considerou “muito positivo” a abertura do ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, para uma reunião com o setor, marcada para segunda-feira, destacando ainda as declarações do governante feitas hoje em que acrescentou que o setor estava esquecido.
“Quando nós notamos que é um problema, é o primeiro passo para que se possam apresentar soluções. É isso que se pede”, referiu.
O ministro das Infraestruturas e Habitação garantiu hoje estar “a analisar as pretensões” dos empresários ligados às terraplanagens relativamente ao preço dos combustíveis, admitindo que o setor “tem sido esquecido” nas medidas até agora tomadas pelo Governo.
“São transportadores que, muitos deles, são detentores da sua própria frota e que não foram ou que não são englobados nem nestas [últimas medidas], nem em nenhumas do passado, deste ou de outro Governo”, afirmou Miguel Pinto Luz em declarações aos jornalistas à margem da “CNN Portugal Summit i9 Cascais – Living the Future”, que decorre hoje em Cascais.
Reconhecendo que “é um setor que, de alguma forma, tem sido esquecido” nas medidas tomadas até agora para limitar o impacto da escalada do preço dos combustíveis, o ministro considerou que “não [o] pode ser”, pelo que o Governo está “a analisar as suas pretensões”.
Aos jornalistas, Miguel Machado Mendes referiu que a marcha lenta decorreu “sem qualquer tipo de incidentes”, admitindo que causou “constrangimentos aos demais utentes das autoestradas”, mas que foi por “um bom motivo”.
A marcha lenta reuniu empresas ligadas à extração de inertes, transportes, movimentação de terras e outras do ramo das terraplanagens.
Este subsetor da construção civil sente-se “muito exposto e vulnerável ao aumento do custo das energias”, nomeadamente do gasóleo, “um custo de produção que significa quase 70% do preço final” que as empresas apresentam aos clientes.
“Desde 27 de fevereiro deste ano, o preço do gasóleo em Portugal passou de 1,59 euros para 2,22 euros por litro, um aumento de 63 cêntimos por litro”, concretizaram numa nota de imprensa os promotores da iniciativa, salientando que esta “subida histórica” está a levar a um “cenário insustentável”.
Leia Também: Marcha lenta começou a chegar a Coimbra às 12h30 e condicionou trânsito



