As agências russas Ria Novosti e TASS informaram que as primeiras secções de voto abriram às 8h00 locais de sexta-feira (20h00 GMT de quinta-feira) na península de Kamchatka e no distrito autónomo de Chukotka.
A votação decorre até domingo, e metade dos 450 deputados da Duma (o parlamento russo) será eleita através de listas partidárias nacionais, enquanto os restantes 225 resultarão de círculos uninominais, nos quais vence o candidato mais votado.
O Rússia Unida, partido de Putin, deverá conservar a maioria na Duma (Partido Comunista, Partido Liberal-Democrático, Rússia Justa e Novo Povo) têm apoiado, no essencial, as principais decisões do poder e a guerra na Ucrânia.
Nas legislativas de 2021, o Rússia Unida conseguiu 49,8% dos votos e controla atualmente 310 dos 450 lugares da Duma, acima dos 300 necessários para manter uma maioria de dois terços que lhe permite aprovar alterações constitucionais sem depender de outros partidos.
A dimensão da vitória do Rússia Unida será, por isso, um dos principais indicadores políticos do escrutínio, mais do que o vencedor esperado.
Uma sondagem do instituto estatal VTsIOM, realizada no final de agosto, atribuía 37% ao partido presidencial e 11,6% aos comunistas.
A eleição é a primeira para a Duma desde a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, e ocorre num contexto de crescente impacto interno da guerra, entre ataques ucranianos com drones em território russo, escassez de combustíveis, inflação, taxas de juro elevadas e falta de mão de obra.
O próprio discurso eleitoral do Rússia Unida está ligado ao conflito e Putin assumiu um papel destacado na campanha, que associa o voto à unidade nacional e à vitória militar.
A principal exceção ao consenso em torno do conflito é o liberal Yabloko, única formação política legal na Rússia que defende abertamente o fim da guerra e negociações de paz.
O Supremo Tribunal russo excluiu, no entanto, a lista nacional de candidatos do Yabloko das eleições, depois de uma ação apresentada pelo partido nacionalista Rodina, deixando apenas alguns dos seus candidatos a disputar círculos uninominais.
Vários desses candidatos foram entretanto afastados, detidos ou sujeitos a processos relacionados com acusações de desacreditar as Forças Armadas ou divulgar símbolos considerados extremistas pelas autoridades.
A repressão atingiu igualmente outras figuras da oposição, algumas das quais foram impedidas de concorrer depois de classificadas como sendo “agentes estrangeiros” e o principal organismo independente russo de fiscalização eleitoral, Golos, encerrou em 2025 após anos de pressão das autoridades.
Apesar dessas restrições, alguns candidatos do Yabloko continuaram a fazer campanha. Sondagens do centro independente Levada indicam que mais de 60% dos russos preferem negociações para pôr fim à guerra.
A credibilidade do processo eleitoral é também contestada devido ao voto eletrónico remoto, que estará disponível em mais de 30 regiões, além de Moscovo, entre sexta-feira e domingo.
O Yabloko, setores comunistas e opositores no exílio apelaram aos eleitores para votarem apenas no domingo e através de boletim em papel, alegando que o sistema eletrónico não permite uma fiscalização independente adequada.
A Rússia não convidou a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) para acompanhar as eleições, decisão que a organização considerou contrária aos compromissos assumidos por Moscovo e parte de um padrão de afastamento dos princípios de transparência, responsabilização democrática e Estado de Direito.
Outra fonte de contestação é a realização da votação na Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, e nos territórios ocupados das regiões ucranianas de Donetsk, Lugansk, Zaporijia e Kherson, cuja incorporação na Federação Russa não é reconhecida internacionalmente.

Russos não vão poder votar em mobilidade por “atitude hostil” de Portugal
A Embaixada da Rússia em Lisboa anunciou que os cidadãos russos em Portugal não poderão votar em mobilidade nas eleições legislativas devido à redução do pessoal diplomático, que Moscovo atribui à “atitude hostil” das autoridades portuguesas.
Márcia Guímaro Rodrigues | 20:17 – 16/09/2026



