Genelle Guzman McMillan estava em Nova Iorque há dois anos quando, a 11 de setembro de 2001, se deram os atentados às Torres Gémeas. Natural de Trinidad e Tobago, a mulher estava a trabalhar no 64.º andar da Torre Norte, na Autoridade Portuária de Nova Iorque e Nova Jérsia, no momento em que o primeiro avião atingiu o topo do edifício. Atualmente com 50 anos, Genelle admitiu que lhe foi dada “uma nova oportunidade”, depois de ter sido a última pessoa a ser retirada com vida dos escombros.
Genelle sentiu o chão vibrar. Quando o segundo avião embateu contra a Torre Sul, a mulher e uma colega decidiram tentar sair do edifício pelas escadas. Na altura com 30 anos, a jovem parou no 13.º andar para tirar os sapatos de salto alto. Depois, a torre da qual queria sair colapsou.
“Estava tudo a cair em cima de mim”, recordou, em declarações à revista People.
Genelle ficou debaixo dos escombros durante cerca de 27 horas, antes de ser resgatada. A sua perna direita ficou esmagada, a sua cabeça inchou e o seu rosto ficou queimado. A jovem esteve internada durante mais de um mês e, a certa altura, os médicos chegaram a considerar amputar-lhe a perna. Contudo, uma quarta cirurgia salvou-a, ainda que coxeie.
Sobre as horas que passou nos escombros, detalhou: “Senti que estava ali há uma eternidade. Pensava que estava a sonhar. Achava que tinha de ser um sonho e não sabia se alguém me encontraria. Fiquei ali deitada. Ouvia tudo o que se passava. Ouvi alguém a pedir ajuda com uma voz muito fraca. Ouvia os camiões e os walkie-talkies a dispararem. Mas, por alguma razão, não conseguia gritar. Tinha pó na boca, no nariz. Fiquei ali deitada. Não sabia o que fazer, o que dizer. E a dor era lancinante, como se tivesse aço cravado no meu flanco, junto ao estômago. Só tinha a mão esquerda livre; tentava posicionar-me de forma a aliviar um pouco aquela dor, mas não adiantava”.
A mulher tentou esticar a cabeça, mas rapidamente se apercebeu de que “estava mesmo encravada e presa”. “Pensei: ‘Vou morrer.’ Sabia que não conseguiria sair. Estava a preparar-me para morrer. Mas, depois, decidi rezar. Sabia apenas que queria viver porque queria ver a minha filha, a Kimberly. Ela tinha 12 anos na altura. Continuei a implorar e a rezar, pedindo a Deus que me desse um milagre”, continuou.
Quando estava prestes a desistir, Genelle ouviu alguém a chamá-la. O homem, que se identificou como Paul, segurou-lhe a mão e garantiu-lhe que ficaria bem.
Roger McMillan, o seu namorado na altura, também permaneceu a seu lado durante o tempo em que esteve no hospital. A 7 de novembro, o casal decidi dar o nó no registo civil.
“Valorizamo-nos mutuamente, sabendo que havia 99% de probabilidade de quase ter perdido alguém por quem me apaixonei”, assinalou Roger, hoje com 58 anos.
Genelle e Roger tiveram duas filhas, agora com 17 e 16 anos. A família vive em Valley Stream, em Long Island, e gosta particularmente de estar em casa.
“Foi-me dada uma nova vida. Sei que Deus tem um plano maior para mim e tento fazer o que é certo. Encorajo as pessoas a tentarem seguir em frente, apesar das adversidades da vida. A minha fé está a tornar-se cada vez mais forte”, disse.
Há 25 anos que a supervisora da Autoridade Portuária no Aeroporto de LaGuardia tenta encontrar Paul, sem sucesso. “Chegámos à conclusão de que o Paul era mesmo o meu anjo da guarda”, confessou.
Recorde-se que os Estados Unidos assinalam hoje o 25.º aniversário dos atentados de 2001, o mais mortífero ataque terrorista cometido em território norte-americano, que causou quase três mil mortos, incluindo nove vítimas portuguesas e lusodescendentes.
Naquele dia, dois aviões sequestrados por terroristas da Al-Qaeda atingiram as Torres Gémeas do World Trade Center, em Nova Iorque, provocando o colapso dos edifícios duas horas após o impacto, enquanto um terceiro aparelho atingiu o Pentágono, nos arredores de Washington.
Um quarto avião, que se acredita que tinha como alvo o Capitólio (sede do Congresso) ou a Casa Branca (presidência dos Estados Unidos), despenhou-se perto de Shanksville, na Pensilvânia, depois de passageiros e membros da tripulação terem tentado recuperar o controlo da aeronave.
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