Um coração artificial extracorpóreo poderia ter tornado Domenico, o menino italiano de dois anos e meio que morreu no Hospital Monaldi, em Nápoles, após ter sido submetido ao transplante de um coração que estava “queimado”, em dezembro do ano passado, elegível para uma nova intervenção, que teria uma percentagem de sucesso superior a 70%.
Os dados constam do relatório com cerca de 600 páginas apresentado na quinta-feira pelos três peritos nomeados pelo Ministério Público, nomeadamente Biagio Solarino, Ugolino Livi e Ferdinando Luca Lorini. O documento, que será discutido nos próximos dias 12 e 13 de novembro, a propósito da investigação sobre a morte de Domenico Caliendo, a 21 de fevereiro, expôs que, se tivesse sido ligado a um coração artificial extracorpóreo e submetido a um novo transplante, a sobrevivência a médio e longo prazo do menino teria ultrapassado os 70%.
“Se, no prazo de 72 horas, tivesse sido ligado ao Berlin Heart EXCOR, o coração artificial extracorpóreo, o Domenico teria sido elegível para um novo transplante e teria tido uma percentagem de sucesso superior a 70%, segundo escrevem os peritos do juiz de instrução no seu relatório de 553 páginas; por isso, peço que o Ministério Público avalie a hipótese de imputar homicídio doloso em vez de homicídio por negligência”, apelou o representante legal da família da criança, Francesco Petruzzi, citado pela agência Ansa.
Isto porque, de acordo com o advogado, os peritos salientaram que “o VAD (Berlin Heart Excor), enquanto suporte circulatório duradouro, teria permitido preservar e/ou restabelecer a funcionalidade do órgão, tornando, assim, o doente potencialmente elegível para um novo transplante por um período superior ao garantido pela oxigenação por membrana extracorporal (ECMO)”.
Na avaliação técnica, os profissionais responderam às questões colocadas pelo juiz de instrução, particularmente no que dizia respeito às decisões tomadas após o transplante do dia 23 de dezembro de 2025, que foi realizado apesar de o coração estar inutilizável e “queimado”, por ter sido transportado e acondicionado de forma inadequada.
O magistrado solicitou ainda que se verificassem as condutas adotadas pelos médicos enquanto a criança estava ligada à ECMO na unidade de cuidados intensivos do Monaldi, e que se avaliassem os motivos que levaram à decisão de excluir a possibilidade de utilizar o coração artificial extracorpóreo.
Quando surgiu um coração compatível, a 17 de fevereiro, o menino já não estava elegível para um novo transplante, tendo em conta o estado dos seus órgãos. Domenico acabou por morrer no dia 21 de fevereiro.
Recorde-se que sete médicos estão a ser investigados pelo Ministério Público de Nápoles pela morte da criança.

Menino de 2 anos transplantado com coração “queimado”. Mãe pede “milagre”
Um menino de dois anos está em estado grave, após ter sido submetido a um transplante de coração que estava “queimado”, no Hospital Monaldi, em Nápoles, em Itália. O órgão terá ficado inutilizável durante o transporte, possivelmente devido ao uso de gelo seco.
Daniela Filipe | 18:33 – 12/02/2026



