As declarações do chanceler são “criminosamente repreensíveis” e “totalmente inaceitáveis”, afirmou o membro do grupo parlamentar do AfD Stephan Brandner, num vídeo publicado nas redes sociais, anunciando o processo por “injúria difamatória”.
Os membros do parlamento alemão gozam de imunidade parlamentar, que visa garantir a independência da câmara baixa e permitir-lhes exercer as suas funções sem pressões judiciais ou executivas.
No entanto, a lei prevê uma exceção em caso de injúrias, o único fundamento pelo qual os membros do parlamento — incluindo o chanceler — podem ser processados por declarações feitas na câmara.
No domingo, a eleição regional na Saxónia-Anhalt deu a vitória ao partido pró-Rússia e anti-imigração AfD, que obteve quase 44% dos votos, ficando muito à frente do partido conservador CDU (União Democrática Cristã), de Merz, que recebeu 17%.
Na quarta-feira, o chanceler tentou retomar o controlo da situação, acusando o AfD de promover uma “limpeza étnica” através da “remigração”, um termo utilizado pela extrema-direita para descrever a sua política de expulsão em massa de estrangeiros.
“A palavra ‘remigração’ não é mais do que um sinónimo de limpeza étnica baseada na origem e na cor da pele”, disse Merz durante um debate no parlamento (Bundestag).
O líder do Governo discursava após um agressivo pronunciamento da co-líder do AfD, Alice Weidel, que lamentou que os alemães tenham de “conviver diariamente com as consequências da imigração em massa”.
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