O ex-líder do PSD, Rui Rio, defende que haverá, com “elevada probabilidade”, ligações de Luís Neves à maçonaria que o ministro “pretende ocultar”.
A consideração vem a propósito de um momento que aconteceu na terça-feira, durante a audição ao ministro da Administração Interna no Parlamento, quando o deputado da IL, Rui Rocha, perguntou a Luís Neves se “pertence ou pertenceu à maçonaria”, questão à qual o governante responde dizendo que pertence “ao Clube Académico do Fundão, ao Clube Recreativo do Feijó e ao Atlético Clube da Almada”.
O antigo presidente da Câmara Municipal do Porto partilhou ontem, na rede social X, um vídeo do momento, divulgado pela SIC Notícias, e admitiu que, não sendo “técnico da matéria”, a “forma perturbada como Luís Neves responde, gaguejando, e indo desnecessariamente duas vezes com a mão aos óculos, revelam que a pergunta incomodou bastante“.
Não sou técnico da matéria, mas a forma perturbada como LN responde, gaguejando, e indo desnecessariamente duas vezes com a mão aos óculos, revelam que A PERGUNTA INCOMODOU BASTANTE. Eu diria que, com elevada probabilidade, haverá ligações à Maçonaria, que pretende ocultar. https://t.co/51fgwKOlUM
— Rui Rio (@RuiRioPT) September 8, 2026
“Como deputado, tenho o dever de escrutínio”, disse Rui Rocha, antes de perguntar se o ministro “pertence ou pertenceu à maçonaria”.
“Não… nunca… Não pertenço. Pertenço ao Clube Académico do Fundão, ao Clube Recreativo do Feijó e ao Atlético Clube da Almada. São as minhas congregações”, foi a resposta de Luís Neves.
O ministro da Administração Interna foi ontem ouvido durante cerca de quatro horas e meia em audição regimental no Parlamento, onde prestou esclarecimentos sobre as recentes polémicas em que esteve envolvido, referentes ao período em que foi diretor nacional da Polícia Judiciária.
Durante a audição, Neves manifestou desagrado com a narrativa criada em que misturam o seu nome com questões relativas a droga, considerando que algumas expressões do Chega foram injuriosas.
Apesar disso, assegurou não estar minimamente afetado pelas polémicas que têm vindo a público e defendeu que o discurso na Madeira teve como objetivo responder a ataques populistas.
“Não me sinto minimamente afetado por esta situação. Enquanto tiver a confiança do senhor primeiro-ministro continuarei a trabalhar”, disse Luís Neves.
Sobre o atrelado, o ministro justificou a solução encontrada (quando era diretor nacional da Polícia Judiciária) com as dificuldades crescentes de armazenamento de material apreendido.
O caso do atrelado, do carro apreendido e das obras em Odemira estão a ser alvo de investigação por parte do Ministério Público, tendo os dois primeiros processos um caráter urgente.
Estão ainda a decorrer uma investigação às obras em Odemira no Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) de Beja e um processo no Tribunal de Contas (TdC) relativo a uma contraordenação que resultou de um relatório datado de 2023 quando estava à frente da PJ.

Das explicações ao chumbo: A censura do Chega que não passou de “fogacho”
A moção de censura era ao Governo, mas as críticas que dominaram o debate foram contra o partido que a tinha apresentado. Se é certo que, de manhã, a audição de Luís Neves não deixou todos esclarecidos, à tarde, a maior parte dos partidos recusou alinhar na ideia de provocar uma crise política.
Tomásia Sousa, Lusa | 08:19 – 09/09/2026



