“Condenamos os ataques transfronteiriços feitos pelos Houthis contra vários locais no sul da Arábia Saudita”, disse o seu porta-voz, Stéphane Dujarric, que se declarou também “preocupado com a intensificação dos confrontos militares em várias linhas da frente no Iémen”, apelando às partes para “pouparem a população civil”.
O Iémen, país pobre da península arábica, voltou a cair na guerra no fim de julho, em contexto de degradação da situação de segurança regional. Os confrontos entre rebeldes e forças governamentais intensificaram-se nos últimos dias e causaram mais de 50 mortes desde quinta-feira.
Em paralelo a uma ofensiva no território iemenita, os Houthis fizeram um vasto ataque na Arábia Saudita, que dirige uma coligação militar apoiantes do governo iemenita reconhecido pela comunidade internacional.
Em concreto, os Houthis atacaram com drones e mísseis instalações do conglomerado petrolífero Aramco em Abha, Najran, e Jizan, bem como a base aérea King Khalid, em Khamis Mushait, segundo o seu porta-voz militar, Yahya Saree.
Este acrescentou que os ataques foram uma resposta a “121 ataques” realizados pelos sauditas no Iémen nos últimos três dias, com a cadeia al-Masirah, dos Houthis, a noticiar mais ataques sauditas realizados hoje.
Estes ataques acentuam a pressão sobre a Arábia Saudita, primeiro exportador mundial de petróleo, já afetada pela quase paralisia no Estreito de Ormuz.
A dimensão dos ataques sauditas de hoje ainda é desconhecida, mas a dos de segunda inclui 11 mortos resultantes de um ataque a uma prisão, na província de Jawf, no norte.
A Organização Internacional das Migrações estima em 20 mil as pessoas obrigadas a fugir de saca, devido à recrudescência dos combates.
No cento desta intensificação dos combates está o estratégico Estreito de Bab el-Mandeb.
Os rebeldes lançaram na quinta-feira uma ofensiva para avançarem para as zonas confinantes com esta via marítima, que liga a Ásia à Europa, através do Mar Vermelho e o Canal do Suez.
A AFP contabiliza em mais de 500 as mortes dos dois lados registadas desde então.
Este Estreito ganhou importância desde o início dos ataques israelo-norte-americanos ao Irão e o fecho por este do estratégico Estreito de Ormuz, do outo lado da península.
O cessar-fogo em vigor desde 2022 acabou em julho, com os Houthis a contestarem a supremacia aérea saudita. O aeroporto de Sanaa, controlado pelos rebeldes, foi alvo de ataques atribuídos aos sauditas.
Entretanto, hoje, a União Europeia (UE) exortou os Houthis a “acabarem com os ataques”, condenando as operações contra a Arábia Saudita.
“Estes ataques constituem uma escalada perigosa, infringem o direito internacional, minam a segurança e a estabilidade regionais e arriscam comprometer mais os esforços que visam uma resolução pacífica do conflito no Iémen”, segundo Anouar El Anouni, porta-voz do serviço diplomático da UE.
“Apelamos aos Houthis para que acabem imediatamente com todos os ataques no interior e exterior do Iémen, incluindo os ataques contra o transporte marítimo comercial no Mar Vermelho”, acrescentou, citado em comunicado.
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