Paulo Rangel falava no encerramento do debate da moção de censura do Chega ao Governo, contra a manutenção do ministro da Administração Interna, Luís Neves, e que será chumbada pelo parlamento pela abstenção do PS.
“Quem ouviu este debate, quem aqui ouviu o Chega e PS, quem aqui viu e ouviu os seus líderes, já só pode ter uma palavra para cada um dos partidos. Há que dizer um ‘chega’ ao Chega; há que dizer um ‘basta’ ao PS”, pediu.
Pelo contrário, defendeu, o Governo da AD (PSD/CDS-PP) “será sempre um garante da justiça social, mas não será nunca um paladino do estatismo ou socialismo da justiça”.
Sobre o Chega, o número dois do Governo frisou que já é a quarta vez que o partido liderado por André Ventura “usa, ou melhor, abusa das moções de censura” em apenas cinco anos.
“Ao banalizar e manipular as moções de censura, o Chega é um fator de instabilidade, que não hesita em querer mais e mais eleições, que só está bem em campanha. O Chega não é um partido de Governo, é um partido de campanha. É tanto o frenesim eleitoral que o Chega parece brincar com a democracia ou, pior, brincar às democracias”, disse.
O ministro dos Negócios Estrangeiros desafiou ainda André Ventura a retratar-se da saudação que fez pela vitória do partido alemão AfD nas eleições da Saxónia-Anhalt.
“Chegou o tempo de o Chega dizer de que lado está. E pode já fazê-lo nos próximos 10 minutos: está ao lado da NATO, da União Europeia, da zona euro ou está contra a Europa, a favor da Rússia de Putin tal como a AfD? André Ventura vai ou não retratar-se do elogio que ainda hoje fez a um partido que humilhou Portugal nos tempos da ‘troika’?”, questionou.
Paulo Rangel defendeu que, “por razões bem diferentes, também é preciso dizer um basta ao PS”.
“Basta de fazer um discurso assente na distorção e na manipulação de dados, um discurso virginal e pseudo-virtuoso de quem não tem nenhuma responsabilidade no passado e na pesada herança de oito anos de governos socialistas”, criticou.
Rangel salientou que a atual direção do PS “integrou esses governos” e acusou, em particular, o secretário-geral José Luís Carneiro de ter tido responsabilidade em áreas como as migrações ou a extinção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.
“Diz que não foi o pai – se não foi o pai, foi o pai adotivo, porque abraçou a extinção e executou-a sem reservas”, precisou.
O ministro dos Negócios Estrangeiros referiu-se também aos elogios de José Luís Carneiro à politica de Espanha em matéria de apoios aos combustíveis.
“O secretário-geral do PS viu que, em 2024 e em 2025, enquanto nós tivemos superávite, a Espanha teve défices superiores a 3%? Por acaso viu que este ano vai ter um défice bem acima dos 2%?”, questionou, desafiando o líder do PS a esclarecer se defende “o modelo dos défices”.
Paulo Rangel defendeu que o atual Governo trabalha “a pensar não nos subsídios universais, mas nos apoios ou incentivos seletivos que aliviam os mais pobres e vulneráveis e que ajudam os setores mais afetados”, dizendo que é assim que se assegura justiça social.
“Nunca nos verão subscrever o populismo estatista do Chega nem o socialismo militante e paralisante do PS. De uma coisa podem os portugueses podem estar certos, nestes tempos de grande turbulência, polarização e imprevisão, o Governo da AD será sempre um garante da justiça social, mas não será nunca um paladino do estatismo ou socialismo da justiça. Justiça social, sim; socialismo da justiça, não!”, afirmou.
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