“Somos os primeiros interessados em que se esclareçam os factos”, disse a ministra porta-voz do Governo, Elma Saiz, na conferência de imprensa semanal após o Conselho de Ministros, em Madrid.
A ministra garantiu “máximo respeito pelo poder judicial”, assim como confiança na justiça e “máxima colaboração” com a investigação judicial por parte do Governo.
Elma Saiz respondeu desta forma quando questionada sobre as declarações do ministro dos Transportes, Oscar Puente, que na segunda-feira, numa entrevista à rádio Cadena Ser, questionou a independência da juíza que está a investigar o ocorrido em 30 e 31 de julho em Ceuta.
Tal como prometeu na semana passada o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, o Conselho de Ministros espanhol desclassificou hoje cerca de 40 documentos confidenciais sobre Ceuta.
Este conjunto de documentos, que serão publicados na quarta-feira, inclui todos os relatórios que chegaram ao Governo relacionados com Ceuta, garantiu hoje Elma Saiz, que sublinhou o objetivo de “total transparência” e de combater a lutar contra a desinformação neste caso.
Sánchez anunciou a publicação dos documentos num debate parlamentar em que negou haver provas sobre o envolvimento de Marrocos na entrada de dezenas de milhares de pessoas ilegalmente em Ceuta, um enclave espanhol no norte de África.
O primeiro-ministro negou também que o Governo tenha sido alertado com antecedência por forças de segurança ou serviços de informações para uma entrada em massa em Ceuta com a dimensão que teve.
Segundo o Governo de Espanha serão divulgados na quarta-feira cerca de 40 documentos com datas de entre 01 de julho e 01 de agosto, entre relatórios e outras comunicações, do Centro Nacional de Informações, das forças de segurança e dos serviços de informações das Forças Armadas.
“Não temos nada a esconder, atuamos com transparência”, disse a ministra porta-voz do Governo.
O presidente do Partido Popular (PP, direita) e líder da oposição espanhola, Alberto Núñez Feijóo, disse hoje não esperar nada dos documentos que vão ser divulgados porque “os relatórios estarão truncados”.
Feijóo lembrou que, por outro lado, há documentos que o Conselho de Ministros não pode desclassificar, por estarem relacionados com a segurança nacional e a sua divulgação depender de outras instâncias.
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